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    porto velho, quarta-feira 27 de maio de 2026

Lula é detonado após negar sala para Flávio mas deixar Porchat gravar de cueca em embaixada

A diplomacia brasileira não pode funcionar como extensão de preferências partidárias. Embaixadas pertencem ao Brasil, não a um grupo político.


Redação

Publicada em: 27/05/2026 11:32:15 - Atualizado


O episódio envolvendo a negativa da Embaixada do Brasil nos Estados Unidos ao pedido do senador Flávio Bolsonaro para conceder entrevista em território diplomático brasileiro reacende um debate inevitável: afinal, a estrutura do Estado brasileiro está sendo utilizada com critérios institucionais ou políticos?

Segundo reportagem da Revista Oeste, a equipe do senador afirmou que a embaixada ignorou ou recusou o pedido de apoio para uma coletiva de imprensa após agenda em Washington.

O problema é que o rigor institucional alegado pelo governo simplesmente desaparece quando os personagens possuem alinhamento ideológico conveniente ao Palácio do Planalto.

Meses antes, o humorista Fábio Porchat utilizou a Embaixada do Brasil em Roma como cenário para gravar um vídeo irônico contra a direita brasileira, aparecendo de cueca e fazendo deboche político relacionado à polêmica das sandálias Havaianas. A gravação gerou enorme repercussão nacional.

Na ocasião, o embaixador afirmou que o artista era seu “convidado pessoal” e alegou não ter autorizado formalmente a gravação. Ainda assim, o fato concreto permanece: a representação diplomática brasileira acabou servindo de pano de fundo para conteúdo político-humorístico direcionado contra um campo ideológico específico.

A contradição é evidente.

Quando um senador da República, eleito democraticamente e em missão política internacional, solicita espaço para falar à imprensa, a justificativa é de prudência institucional. Já quando um humorista grava conteúdo de cunho político-partidário dentro de uma embaixada brasileira, o episódio é tratado como algo trivial, quase folclórico.

Não se discute aqui preferência política. O ponto central é a coerência.

Se a regra é impedir o uso político das embaixadas, ela deve valer para todos — independentemente de serem parlamentares conservadores ou artistas simpáticos ao governo. Mas se a estrutura diplomática pode ser usada informalmente para gravações e manifestações de caráter ideológico, negar espaço a um senador da República passa a soar menos como protocolo e mais como seletividade política.

O Itamaraty, que historicamente deveria representar o Estado brasileiro — e não governos de ocasião — corre o risco de aprofundar a percepção de aparelhamento ideológico quando adota pesos diferentes para situações semelhantes.

A diplomacia brasileira não pode funcionar como extensão de preferências partidárias. Embaixadas pertencem ao Brasil, não a um grupo político.


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