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    porto velho, sábado 25 de julho de 2026

Milei visita o Palácio dos Bandeirantes, recebe honraria de Tarcísio e fecha acordos por SP

Presidente da Argentina será condecorado com a Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria concedida pelo Estado de São Paulo


metropoles

Publicada em: 25/07/2026 11:33:30 - Atualizado


A visita do presidente argentino, Javier Milei, a São Paulo, neste sábado (25), vai além de um encontro protocolar com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Embora a pauta oficial da conversa não tenha sido divulgada, a reunião aproxima duas lideranças que compartilham uma visão semelhante sobre o papel do Estado na economia e ocorre em um momento de mudança no cenário político sul-americano.

Nos últimos meses, Argentina, Equador, Peru e Colômbia passaram a ser governados por lideranças de direita ou de centro-direita, muitas delas defendendo maior disciplina nas finanças públicas, incentivo ao investimento privado e economias mais abertas ao comércio internacional.
A viagem de Milei, que começa por São Paulo antes de seguir para outros países da região, reforça esse movimento.

O encontro com Tarcísio reúne dois governos que apostam em agendas parecidas. Ambos defendem responsabilidade fiscal, privatizações, desburocratização e maior participação da iniciativa privada na economia.

Embora não haja confirmação de que temas comerciais específicos estejam na mesa, existem interesses econômicos evidentes.
São Paulo concentra a maior parte da indústria brasileira exportadora para a Argentina, especialmente nos segmentos de automóveis, autopeças, máquinas e equipamentos. Uma recuperação consistente da economia argentina interessa diretamente ao setor produtivo paulista.

Outro ponto de convergência é a defesa de maior integração comercial. Milei tem criticado as restrições do Mercosul e defende mais liberdade para que os países negociem individualmente acordos internacionais. Tarcísio também costuma defender uma economia mais aberta e a atração de investimentos estrangeiros para o estado.

A afinidade entre os dois também é explicada pelos resultados obtidos por Milei desde que assumiu a Casa Rosada, em dezembro de 2023. O presidente encontrou uma economia marcada por inflação superior a 200% ao ano, forte desequilíbrio fiscal e escassez de reservas internacionais.

Sua resposta foi um programa de ajuste de choque, a chamada "motosserra" nos gastos públicos, dentro do conceito de "no hay plata" -- frase repetida à exaustão por Milei.

O governo promoveu cortes expressivos, reduziu ministérios, eliminou milhares de cargos na administração federal, diminuiu subsídios, acelerou a desregulamentação da economia e iniciou um amplo processo de abertura comercial e cambial. Também aprovou a chamada Lei de Bases, que ampliou incentivos ao investimento privado em setores como energia, mineração, infraestrutura e tecnologia.

As medidas tiveram um custo social elevado no início do mandato, com aumento da pobreza e queda do poder de compra da população. Ao mesmo tempo, indicadores macroeconômicos começaram a mostrar melhoria.
A inflação anual, que ultrapassou 250% e chegou perto de 300% em 2024, desacelerou de forma significativa ao longo do governo. A inflação mensal, que chegou a superar 25% no início da gestão, recuou para níveis próximos de 2% em 2025, enquanto a economia voltou a crescer após a recessão inicial.

Além dos indicadores domésticos, Milei também conseguiu estreitar a relação com os Estados Unidos, o que acabou se refletindo em condições comerciais mais favoráveis para parte das exportações argentinas, reforçando a percepção de que diplomacia e política econômica caminham cada vez mais juntas.

É verdade que Milei e Tarcísio governam em contextos muito diferentes. Milei assumiu um país em profunda crise econômica e adotou um ajuste de choque para estabilizar as contas públicas. Tarcísio administra o estado mais rico do Brasil, com situação fiscal muito mais confortável e espaço para implementar reformas de forma gradual.

De todo modo, o encontro reúne duas lideranças que defendem uma estratégia semelhante para acelerar o crescimento: mais investimento privado, maior abertura econômica e integração aos mercados internacionais.


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