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porto velho, domingo 5 de julho de 2026

Belo Horizonte – A faxineira Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, presa em Itabira, na madrugada de quarta-feira (1/7), na Região Central de Minas Gerais, é descrita pela Polícia Civil como uma pessoa “cruel”, “calculista”, “dissimulada” e que representa risco à sociedade. Alguém que, apesar de ter evitado ser pega, já vivia do crime e tinha um modo de agir.
A avaliação é do delegado Gustavo Barletta, chefe do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), responsável pelas apuração sobre o duplo latrocínio que vitimou o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária aposentada Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76.
O investigador acredita que, com a repercussão do caso, mais vítimas da diarista vão aparecer. Duas delas já conversaram com a polícia, que segue investigando o caso.
O casal foi assassinado dentro do apartamento de alto padrão onde moravam, no Bairro São Pedro, na região da Centro-Sul de Belo Horizonte, na última segunda-feira (28/7). Em entrevista ao Metrópoles, Barletta detalhou o perfil da suspeita, explicou por que acredita que ela fazia do crime um modo de vida e revelou que a Polícia Civil já investiga possíveis novas vítimas.
Segundo a investigação, Paola havia sido contratada para fazer apenas uma faxina na residência das vítimas, indicada por uma primo de Maria Clotilde. Conforme contou à Polícia Civil, ela se impressionou com os objetos de valor existentes no imóvel e decidiu cometer o crime ainda no primeiro dia de trabalho.
Após dopar o casal com clonazepam, matou os idosos com dezenas de facadas e fugiu levando joias, relógios Cartier e Omega, celulares, dinheiro e outros bens avaliados em cerca de R$ 200 mil.
“É uma pessoa cruel e perigosa”, afirmou o delegado
Após quatro dias de diligências praticamente ininterruptas, Barletta afirmou que o caso está entre os mais cruéis que já investigou ao longo da carreira. “É um crime que realmente impressiona. Ela dopou essas pessoas, utilizou um meio que dificultou qualquer possibilidade de defesa das vítimas. Foi uma atitude extremamente covarde.”, relatou ao Metrópoles.
O delegado contou que questionou diretamente Paola sobre o motivo de ter matado o casal, já que poderia ter levado os bens sem tirar a vida das vítimas, que já estavam dopadas.
“Perguntei por que ela não se satisfez apenas com a subtração do patrimônio. Por que tirar a vida de duas pessoas idosas daquela forma? Imagina o sofrimento que ela causou para essas pessoas e para os familiares. Ela respondeu que teve um surto, mas essa justificativa não convence.”
Na avaliação do investigador, a suspeita demonstra uma frieza incomum.
“Acho que ela é uma pessoa muito cruel. É alguém que precisa ser avaliado quanto à possibilidade de um dia voltar ao convívio social. Não é qualquer ser humano que aceita praticar um crime dessa natureza e conviver com isso pelo resto da vida”, analisa o delegado.
Durante o interrogatório, segundo Barletta, Paola tentou demonstrar arrependimento, chorou diversas vezes e manteve uma postura tranquila diante dos investigadores.
Apesar disso, o delegado afirma que enxergou uma personalidade manipuladora.
“Ela fala manso, observa muito as pessoas, tenta conquistar pela postura, despertar pena. É uma pessoa extremamente dissimulada, calculista, que fica analisando quem está à frente dela”, analisa o delegado.
A principal linha da defesa da suspeita é a de que ela sofre há algum tempo de transtornos psiquiátricos e faz uso contínuo de medicamentos controlados. Para Barletta, porém, toda a sequência dos fatos demonstra planejamento.