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porto velho, sexta-feira 10 de julho de 2026

Sessenta e cinco é o número de alunas incluídas na lista de categorias sexuais atribuída a estudantes do Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) já recebeu ao menos seis registros de ocorrência e começa a ouvir as vítimas nesta quinta-feira (09).
As adolescentes citadas têm entre 14 e 15 anos. A Polícia Civil tenta identificar quantos alunos participaram da criação do conteúdo e se outras pessoas ajudaram a divulgar a lista.
Os investigados são menores de idade e poderão responder por atos infracionais análogos aos crimes de injúria, difamação e submissão de adolescente a vexame ou constrangimento. A apuração ainda pode incluir outras condutas caso sejam encontradas provas de ameaças ou violência psicológica.
O diretor da unidade de Jacarepaguá foi ouvido pela DCAV nesta quarta-feira (08). Em depoimento, ele afirmou que a escola tenta identificar internamente os responsáveis pela criação da lista. O diretor deixou a delegacia sem falar com a imprensa.
A instituição já havia informado ao iG que registrou a ocorrência assim que tomou conhecimento do material, pediu a retirada do conteúdo da plataforma e comunicou as famílias. A escola também iniciou o atendimento às alunas citadas e aos familiares. O conteúdo foi retirado do ar.
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A Polícia Civil ainda não sabe quantos estudantes participaram da criação ou do compartilhamento. A investigação deve analisar a circulação da lista e a atuação individual de cada envolvido.
As adolescentes serão atendidas por uma equipe especializada da DCAV. O procedimento busca reunir as informações necessárias para a investigação sem obrigar as vítimas a repetir diversas vezes os relatos.
Durante o depoimento especial, policiais capacitados permanecem na sala com a adolescente. Delegados podem acompanhar a conversa de outro ambiente.
A delegada Maria Luiza Machado afirmou que a unidade adota cuidados específicos para evitar uma nova exposição das vítimas.
“A gente, de fato, tem uma cautela específica, tem um setor específico para depoimento especial para que a gente consiga ouvir essas vítimas de forma a não revitimizá-las”, explicou à Globonews.
Os depoimentos devem ajudar a esclarecer quem criou a lista, como os nomes foram incluídos e de que forma o material chegou a outros estudantes.
A DCAV também tenta reunir os registros já feitos para conduzir a apuração de forma conjunta.
“Nós recebemos esse caso há uns dois dias e estamos empreendendo todos os esforços para reunir todos os boletins de ocorrência aqui na delegacia para investigar de forma integrada”, afirmou a delegada.
Para Maria Luiza Machado, o teor das classificações aumenta a gravidade da exposição.
“É um caso que causa repulsa, principalmente aos pais, que veem o nome de suas filhas nessa lista extremamente pejorativa”, disse.
Segundo a delegada, a Polícia Civil tem registrado crescimento no compartilhamento de conteúdos que expõem crianças e adolescentes.
“A gente vê realmente que ultimamente o volume desse compartilhamento tem crescido. E as vítimas se tornam cada vez mais vulneráveis, não só pela idade, mas também pelo gênero”, afirmou.