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porto velho, quarta-feira 15 de julho de 2026

A reação furiosa dos institutos de pesquisa à proposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de criar um "Selo de Acurácia" expõe o nervosismo de um setor que há muito tempo se acostumou a errar sem sofrer consequências. Sob a liderança do ministro Nunes Marques, o tribunal sugeriu o óbvio: premiar quem chega mais perto do resultado real das urnas. O contra-ataque das empresas, lideradas pela Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa), veio rápido, alegando cinicamente que cobrar precisão metodológica é "confundir ciência com bola de cristal".
Essa desculpa conveniente de que as pesquisas são "apenas o retrato do momento" não cola mais com o eleitor brasileiro. O histórico recente de eleições nacionais e estaduais é recheado de discrepâncias grotescas que vão muito além da tradicional margem de erro. Candidatos que apareciam liderando isolados por institutos tradicionais viram seus adversários vencerem nas urnas, revelando distorções que levantam suspeitas inevitáveis sobre tentativas de manipulação do voto e indução do comportamento do eleitorado através de narrativas artificiais de "já ganhou".
O pavor generalizado dos institutos em relação a uma chancela oficial de qualidade escancara uma verdade incômoda: muitos operam no mercado político muito mais como ferramentas de marketing e influência do que como cientistas estatísticos. Ao rejeitarem critérios objetivos de exatidão e transparência, essas empresas assinam um atestado de insegurança sobre os próprios dados que vendem e divulgam.
A criação do Selo de Acurácia surge tardiamente, mas em boa hora, como uma peneira necessária para o mercado. Aqueles institutos que insistirem em produzir distorções grotescas fantasiadas de "retratos de momento" tendem a perder a pouca credibilidade que lhes resta, rumando direto para a extinção. Se a ciência alegada por essas empresas não aguenta o teste do algodão da realidade das urnas, então o problema não está no critério do TSE, mas sim na validade do serviço que eles entregam ao país.