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porto velho, quarta-feira 7 de janeiro de 2026

PORTO VELHO-RO: O MDB de Rondônia vive, há anos, um processo contínuo de esvaziamento político que já não pode mais ser atribuído ao acaso. Sob a presidência de Lúcio Mosquini, o partido perdeu densidade, protagonismo e relevância eleitoral. Entrou em sucessivas disputas sem projeto claro, saiu derrotado das últimas eleições e assistiu, quase inerte, à debandada de suas principais lideranças históricas.
O resultado foi um MDB em frangalhos: sem eleitos de peso, sem discurso unificado e sem capacidade de se impor no debate público. A legenda que já foi sinônimo de poder, capilaridade e pragmatismo político em Rondônia tornou-se coadjuvante de luxo — quando muito — em um cenário dominado por forças mais organizadas e ideologicamente definidas.
A troca recente no comando estadual, até agora, não produziu qualquer sinal concreto de reação. A nova direção ainda não “deu um pio” sobre que rumo pretende tomar, nem apresentou estratégia para oxigenar o partido, reconectar-se com a base ou recuperar espaço institucional. O silêncio, nesse caso, não é prudência: é sintoma de paralisia.
No plano municipal, entretanto, o MDB de Porto Velho ensaia um movimento que pode representar ruptura com o imobilismo. A não reeleição de Willians Pimentel no comando do Diretório Municipal marca o fim de um ciclo. Homem de confiança do senador Confúcio Moura e antigo discípulo do clã Raupp, Pimentel era apontado como favorito, mas acabou ficando de fora da nova composição.
Quem assumiu foi Luciano Valério, um nome ainda pouco conhecido nos meios políticos regionais, mas que chegou com o discurso de renovação e disposição para reorganizar a legenda na capital, mas até agora não ‘deu as caras’ sobre projeto oxigenação da legenda. A mudança, caso seja concretizada, quebra uma lógica interna de continuidade automática e pode abrir espaço para novos quadros e novas práticas.
Resta saber se a mudança no diretório municipal será um ponto fora da curva ou o início de uma reação mais ampla. Por enquanto, o MDB de Rondônia segue como um partido que carrega o peso do passado, mas que ainda não encontrou coragem — nem discurso — para enfrentar o presente. E sem oxigenação real, a sigla corre o risco de continuar existindo apenas no papel, como uma sigla histórica que perdeu o fôlego no jogo político contemporâneo e continua como pastinha debaixo do braço de outras agremiações.