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porto velho, terça-feira 13 de janeiro de 2026

PORTO VELHO - RO -O jornalista Robson Oliveira resumiu com fina ironia um bastidor que correu rápido pelos corredores da política rondoniense: o ex-senador Expedito Júnior, velho conhecedor das engrenagens do poder, experimentado no embate das urnas e calejado por décadas de articulação, quase teve um troço ao perceber que o filho, Expedito Neto, andava flertando publicamente com o PT.
Segundo apuração relatada na coluna, nem o próprio Partido dos Trabalhadores levou a sério o movimento. Integrantes do Diretório Regional trataram a suposta aproximação como algo efêmero, desses que nascem com data de validade vencida. A cautela petista em evitar polêmica pública se deu mais por pragmatismo — afinal, Neto declara voto em Lula — do que por convicção política.
O constrangimento real, porém, não estava no PT. Estava em casa. As movimentações de Expedito Neto caíram como um balde de água fria sobre o pai, hoje presidente estadual do PSD, que trabalha intensamente para viabilizar a candidatura de Adaílton Fúria ao governo. Para quem conhece o histórico do partido e o DNA político da família, a cena soou quase surreal.
Procurado, Expedito Júnior respondeu com a franqueza típica de quem já atravessou tempestades bem mais violentas na política. Disse que o filho é maior de idade, tem CPF próprio e age por conta própria. Mas não escondeu o incômodo. Admitiu que o flerte público com o PT gera desgaste político e, inevitavelmente, dissabores no ambiente familiar.
O ex-senador fez questão de deixar claro que o PSD segue firme e alinhado ao projeto de Adaílton Fúria, e que as movimentações do filho não interferem, nem interferirão, na estratégia partidária. Incomodam, sim. Mudam o rumo do partido, não.
No mesmo tom, Expedito Júnior adiantou que o PSD trabalha com a perspectiva de lançar candidato próprio à Presidência da República, citando nomes como Tarcísio de Freitas e Ratinho Júnior. O nome escolhido nacionalmente será, automaticamente, o presidenciável apoiado pelo grupo de Adaílton Fúria em Rondônia.
Lula, fez questão de frisar, definitivamente não está nos planos do PSD local. O que torna ainda mais indigesta — e quase infartante — a ideia de ver o herdeiro político ensaiando passos em direção a um campo ideológico que o pai passou a vida inteira enfrentando. Para quem é velho de guerra, cascudo e acostumado ao calor das urnas, certas surpresas ainda conseguem tirar o fôlego.