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porto velho, sábado 28 de fevereiro de 2026

PORTO VELHO, RO - Callebe José da Silva e Ivanice Farias de Souza, pai e madrasta da adolescente Marta Isabelle dos Santos, de 16 anos, encontrada morta com sinais de tortura em Porto Velho, se autodenominavam pastores nas redes sociais e publicavam registros da rotina da congregação “Ministério Profético Apocalipse”, com vídeos e fotos de celebrações, pregações e encontros com frequentadores.
Os dois foram presos sob suspeita de tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro. A avó paterna da jovem, Benedita Maria da Silva, também foi detida no caso.

De acordo com relato de familiares, Callebe e Ivanice conviviam havia cerca de quatro anos e moravam no setor chacareiro da capital. A mãe de Marta e outros parentes vivem na Paraíba.
Em depoimento, Ivanice afirmou que o pai não queria permitir que a adolescente saísse ou namorasse e, por isso, teria decidido mantê-la presa. Ela disse ainda que não acionou a polícia nem buscou ajuda porque era ameaçada de morte pelo marido. Callebe alegou que Marta era “muito agressiva” e que, para proteger a esposa, decidiu amarrar a filha, versão contestada por familiares, que relatam que a adolescente era querida, gostava de cantar na igreja e sonhava em concluir os estudos.
Marta foi encontrada deitada em uma cama, coberta por um lençol e usando fralda descartável. O corpo estava desnutrido, com ossos expostos, ferimentos com larvas e marcas que indicariam que ela passou dias imobilizada.
O pai confessou à polícia que mantinha a filha amarrada todas as noites com fios elétricos e a deixava trancada em casa durante o dia. Testemunhas relataram ainda maus-tratos recorrentes, incluindo cortes de cabelo forçados como forma de punição.
Questionado sobre o estado da filha, Callebe disse que não sabia o que havia acontecido. Ivanice declarou que cuidava das feridas e que tinha consciência da gravidade do quadro. A polícia apontou contradições nos relatos da madrasta e da avó paterna, que estavam na residência e não acionaram socorro mesmo diante da situação.
Um vídeo divulgado nas redes sociais de uma igreja mostra Marta cantando durante um culto e, segundo uma tia, esse foi o último registro em vida ao qual a família teve acesso.
Parentes afirmam que não sabiam do que ocorria e dizem que a adolescente foi privada de celular, redes sociais e contato com a família.