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porto velho, sábado 9 de maio de 2026

PORTO VELHO - RO - O MDB de Rondônia depois da 'hecatombe' Mosquini como dirigente da legenda, tentou ensaiar um retorno ao protagonismo político ao lançar o nome do professor universitário Pedro Abib como pré-candidato ao Governo do Estado.
O movimento, porém, acendeu uma centelha de esperança, mas perdeu força rapidamente. Após o anúncio inicial, a candidatura praticamente sumiu das manchetes, das articulações públicas e até mesmo do discurso dos principais caciques emedebistas, mergulhando em um silêncio que expõe a fragilidade da legenda no cenário estadual.
A pré-candidatura surgiu em um momento delicado para o partido, que tenta se reconstruir depois de anos de desgaste político e perda de espaço em Rondônia. Nos bastidores, a avaliação é de que o MDB entrou em um processo de esvaziamento, acumulando derrotas, evasão de lideranças e dificuldades para manter relevância diante do avanço de outras siglas mais organizadas eleitoralmente.
Pedro Abib apareceu como uma tentativa de renovação. Com trajetória acadêmica, atuação no Direito, na educação e na medicina veterinária, além de experiência em gestão pública, o professor foi apresentado como um nome técnico, sem forte rejeição popular e capaz de dialogar com setores fora da política tradicional.
“O que credenciou essa pré-candidatura foi a minha trajetória de vida e profissional”, afirmou Abib ao defender sua experiência administrativa como diferencial para disputar o Palácio Rio Madeira.
O problema é que, depois do lançamento, o MDB parece ter recolhido as próprias bandeiras. Não houve mobilização estadual consistente, agendas públicas de impacto, caravanas políticas ou manifestações contundentes das principais lideranças da legenda em defesa do nome escolhido. A pré-candidatura acabou engolida pelo barulho de outras articulações políticas já em curso para 2026.
Dentro do próprio MDB, há quem admita reservadamente que o partido segue em “modo sobrevivência”, tentando apenas não desaparecer do mapa político de Rondônia. O silêncio dos caciques emedebistas após o anúncio de Pedro Abib reforçou a percepção de que o lançamento ocorreu mais como gesto simbólico do que como um projeto eleitoral consolidado.
Ainda assim, aliados tentam sustentar que justamente o fato de Abib ser pouco conhecido pode se transformar em vantagem em um cenário de forte desgaste da classe política tradicional. A aposta seria construir sua imagem ao longo da campanha, explorando o discurso de renovação e gestão técnica.
Resta saber se haverá tempo — e disposição do MDB — para tirar a pré-candidatura do invisível político antes que ela se transforme apenas em mais um lançamento sem consequência eleitoral.