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    porto velho, sábado 9 de maio de 2026

PT tenta empurrar Netto ao governo, mas “companheirada” ainda morde a corda

O desconforto tem motivo claro: para uma ala significativa do partido, falta “sangue vermelho” correndo nas veias do pré-candidato....


Redação

Publicada em: 09/05/2026 10:24:59 - Atualizado

PORTO VELHO – RO – A pré-candidatura de Expedito Netto ao Governo de Rondônia pelo PT segue encontrando mais resistência do que entusiasmo dentro da própria esquerda. Nos bastidores petistas, a chamada “companheirada” ainda faz esforço para engolir o projeto político do ex-deputado, visto por muitos militantes históricos como um corpo estranho dentro da legenda de Luiz Inácio Lula da Silva.

O desconforto tem motivo claro: para uma ala significativa do partido, falta “sangue vermelho” correndo nas veias do pré-candidato. O passado político de Expedito Netto continua atravessado na garganta da militância, principalmente pelo voto favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff — episódio tratado pelo PT até hoje como golpe institucional.

imagem - montagem rondonoticias/ia

A contradição virou um problema interno difícil de esconder. Embora o movimento tenha recebido aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, setores históricos da legenda em Rondônia ainda demonstram dificuldade em reconhecer identidade ideológica no pré-candidato.

Nos corredores partidários, a ironia já virou comentário recorrente. Um dirigente petista, pré-candidato a deputado federal, resumiu o clima com sarcasmo: “vamos tentar avermelhá-lo”. A frase expõe o tamanho do esforço político necessário para transformar Expedito Netto em um candidato palatável para uma militância acostumada a cobrar fidelidade ideológica quase religiosa.

Além da resistência interna, a candidatura também enfrenta dificuldades externas. Rondônia segue sendo um dos estados mais conservadores do país, com forte presença bolsonarista e histórico de rejeição ao PT. Nesse ambiente, carregar a bandeira petista já representa desgaste natural. Fazê-lo após anos de trajetória distante da esquerda torna o desafio ainda maior.

Com Lula fraco politicamente, sem mobilização forte nas ruas, sem empolgação visível da militância e sem narrativa capaz de apagar as contradições do passado, a pré-candidatura de Expedito Netto parece ter perdido força antes mesmo de ganhar musculatura eleitoral. Dentro do próprio PT, muitos ainda mastigam lentamente a ideia — alguns sem conseguir engolir até agora.


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