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    porto velho, segunda-feira 11 de maio de 2026

Regra de ouro da nova política em Rondônia: o eleitor quer presença, não performance

Em Rondônia, o sentimento predominante aponta para uma política menos teatral e mais concreta...


Redação

Publicada em: 11/05/2026 07:48:09 - Atualizado

EDITORIAL - Regra de ouro da nova política em Rondônia: o eleitor quer presença, não performance

Em Rondônia, uma mudança silenciosa vem redesenhando a forma como a população enxerga a política. O modelo tradicional, baseado em discursos prontos, marketing exagerado e presença apenas em período eleitoral, já não produz o mesmo efeito de antes. O eleitor mudou — e isso começa a impactar diretamente a sobrevivência política de quem pretende disputar espaço nas próximas eleições.

A chamada “nova política” no estado não nasce necessariamente de partidos ou ideologias inéditas. Ela surge da transformação do comportamento do eleitor, cada vez mais atento à coerência entre discurso e prática. O cidadão rondoniense passou a demonstrar cansaço diante de figuras públicas distantes da realidade cotidiana, parlamentares que vivem apenas da repercussão nas redes sociais e candidatos que desaparecem durante anos para reaparecer em época de campanha.

O desgaste é visível. O eleitor de Rondônia não aceita cabresto e, por isso, cresce a rejeição ao político que governa por vídeos, mas não pisa nas comunidades. Ao deputado que domina cortes de internet, mas pouco participa da vida real das cidades. Ao candidato que troca proximidade por estratégias de imagem e comunicação artificial.

A percepção popular é clara: foto ensaiada não substitui presença. Discurso emocional não substitui trabalho contínuo. E promessas genéricas já não produzem o impacto de outros tempos.

Nesse novo cenário, a regra de ouro da política em Rondônia parece seguir um caminho mais simples — e, ao mesmo tempo, mais difícil de sustentar: estar presente de verdade.

O novo convencimento político nasce da convivência direta com a população. Surge quando o representante aparece fora do calendário eleitoral, acompanha problemas reais e mantém diálogo constante com as comunidades. A presença física voltou a ter peso político. O eleitor quer reconhecer autenticidade, não apenas narrativa.

Outro fator que ganha força é a simplicidade. Em um ambiente saturado por discursos sofisticados e estratégias digitais excessivamente calculadas, políticos que conseguem transmitir naturalidade acabam se conectando melhor com a população. A linguagem acessível e a postura humana passaram a valer mais do que a estética perfeita das campanhas tradicionais.

A coerência também se tornou um ativo decisivo. O eleitor observa contradições com rapidez. Quem muda de posicionamento conforme a conveniência política encontra resistência crescente. Em tempos de hiperconectividade, cada fala, promessa ou comportamento pode ser comparado instantaneamente com atitudes passadas.

Além disso, coragem política passou a ser valorizada. Não apenas no enfrentamento de adversários, mas na disposição de assumir posições claras, tomar decisões difíceis e manter firmeza mesmo diante da pressão das redes ou de grupos de interesse.

Mas talvez o elemento mais importante dessa transformação seja a continuidade. A política do “aparecimento sazonal” perdeu força. O eleitor passou a valorizar quem mantém presença constante, acompanha resultados e permanece acessível após a eleição.

Isso não significa o fim do marketing político. A comunicação continua sendo importante e as redes sociais permanecem como ferramentas fundamentais. No entanto, a campanha moderna já não se vence apenas na publicidade. O marketing pode ampliar uma imagem, mas dificilmente sustenta, sozinho, uma liderança sem base real.

Em Rondônia, o sentimento predominante aponta para uma política menos teatral e mais concreta. O eleitor demonstra interesse crescente por representantes que consigam unir comunicação eficiente com trabalho perceptível no dia a dia.

A nova regra é simples de entender: a imagem pode até abrir portas, mas será a presença verdadeira que decidirá quem permanece relevante na política rondoniense nos próximos anos.


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