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porto velho, terça-feira 2 de junho de 2026

PORTO VELHO - RO - A pré-campanha ao Governo de Rondônia começa a revelar uma característica clássica das disputas estaduais: a busca dos candidatos por espaços eleitorais onde ainda não possuem força consolidada. Com perfis e bases políticas distintas, os principais nomes cotados para a sucessão estadual tentam avançar justamente sobre territórios eleitorais dominados pelos adversários.
O ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves-UB, por exemplo, enfrenta um desafio histórico de lideranças surgidas na capital. Apesar da ampla visibilidade conquistada durante seus mandatos à frente da maior cidade do Estado, ele precisa ampliar sua presença no interior, onde está concentrada a maior parcela do eleitorado rondoniense.
Dos mais de 1,19 milhão de eleitores aptos a votar em Rondônia, cerca de dois terços estão distribuídos pelos municípios do interior. Esse cenário transforma a interiorização da candidatura em uma necessidade estratégica para qualquer postulante ao Palácio Rio Madeira.
Enquanto isso, o movimento inverso é realizado por adversários que possuem forte densidade eleitoral fora da capital. O prefeito de Cacoal, Adailton Fúria-PSD, e o senador Marcos Rogério-PL aparecem como nomes que buscam ampliar sua influência em Porto Velho, maior colégio eleitoral do Estado.
A capital concentra atualmente 333.031 eleitores, número que representa aproximadamente 28% de todo o eleitorado rondoniense. Embora insuficiente para garantir uma vitória isoladamente, Porto Velho tem peso decisivo na definição dos candidatos que avançam para um eventual segundo turno.
A disputa ganha contornos ainda mais relevantes diante da expectativa de crescimento do eleitorado. O Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) projeta a entrada de aproximadamente 250 mil novos eleitores aptos a votar em 2026. O aumento pode alterar significativamente o cenário político e obrigar as campanhas a revisarem estratégias de comunicação e mobilização.
Especialistas observam que eleições estaduais costumam ser definidas justamente pela capacidade dos candidatos de romperem suas fronteiras políticas naturais. Quem é forte na capital precisa conquistar o interior. Quem domina o interior precisa crescer em Porto Velho.
Nesse contexto, mais do que uma simples disputa de nomes, a corrida ao Governo de Rondônia começa a se transformar em uma verdadeira batalha por território eleitoral. O desafio dos pré-candidatos será construir pontes onde ainda existem lacunas de popularidade, numa eleição que promete ser marcada pela busca de novos eleitores e pela expansão das bases políticas tradicionais.