• Fundado em 11/10/2001

    porto velho, segunda-feira 15 de junho de 2026

De olho nos votos conservadores, Samuel Costa suaviza tom e evita Lula

A mudança de postura não passou despercebida. Se antes o discurso era marcado por posições mais contundentes e alinhadas ao governo federal, agora é diferente...


Redação

Publicada em: 15/06/2026 09:10:19 - Atualizado

PORTO VELHO - RO - A esquerda rondoniense atravessa um de seus períodos mais discretos das últimas décadas. Sem lideranças de grande densidade eleitoral, sem estrutura robusta nos municípios e enfrentando um eleitorado majoritariamente conservador, o campo progressista busca sobreviver politicamente em um ambiente amplamente favorável ao bolsonarismo.

Nesse cenário, o pré-candidato ao Governo de Rondônia, Samuel Costa (PSD), parece ter percebido a dificuldade da missão. Conhecido por sua histórica defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e das bandeiras da esquerda nacional, Costa começou a adotar um tom mais moderado em suas manifestações públicas, numa tentativa de ampliar o diálogo para além do eleitorado ideológico tradicional.

Após participar de eventos no interior do estado, entre eles a Marcha dos Vereadores, em Cacoal, e compromissos na OAB local, interlocutores políticos observam que o pré-candidato voltou à capital com uma leitura mais realista do cenário eleitoral. Em Rondônia, onde Jair Bolsonaro continua exercendo forte influência política e eleitoral, a associação automática a Lula costuma representar mais desgaste do que dividendos eleitorais.

A mudança de postura não passou despercebida. Se antes o discurso era marcado por posições mais contundentes e alinhadas ao governo federal, agora o pré-candidato procura enfatizar temas administrativos e regionais, evitando transformar a disputa estadual em uma simples extensão do embate ideológico nacional.

O movimento reflete uma realidade incontornável: a esquerda encolheu em Rondônia. Os partidos do campo progressista perderam protagonismo, reduziram suas bancadas e viram suas lideranças ficarem cada vez mais distantes das grandes disputas majoritárias.

Para Samuel Costa, o desafio é duplo. Além de tentar ampliar sua base eleitoral, precisa convencer setores moderados de que sua candidatura não está presa exclusivamente às pautas da esquerda tradicional. A tarefa, contudo, não será simples.

Figura conhecida das disputas eleitorais rondonienses, Costa acumula participações em diversas campanhas sem conseguir converter visibilidade em vitória nas urnas. Entre aliados e adversários, existe a avaliação de que sua candidatura tende mais a marcar posição política e garantir espaço partidário no debate estadual do que efetivamente disputar as primeiras colocações da corrida ao Palácio Rio Madeira.

Enquanto os principais grupos políticos do estado se organizam em torno de nomes ligados ao campo conservador, Samuel Costa tenta construir uma narrativa capaz de reduzir resistências e ampliar sua penetração eleitoral. O problema é que, em Rondônia, afastar-se da imagem de Lula pode ser uma necessidade eleitoral. Mas convencer o eleitor de que essa mudança é genuína será um desafio ainda maior.


Fale conosco