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    porto velho, sábado 18 de abril de 2026

Qualidade da dívida das famílias é mais grave que tamanho, diz LCA

Inadimplência das famílias brasileiras se aproxima do pico histórico de 2012, com brasileiros destinando mais de 9% da renda apenas para pagamento de juros...


Da CNN Brasil

Publicada em: 17/04/2026 16:21:32 - Atualizado

foto - reprodução

BRASIL - A inadimplência das famílias brasileiras voltou a subir e já se aproxima do pico histórico registrado em 2012. Segundo um estudo recente da LCA Consultoria, o problema não está no tamanho da dívida, mas na sua qualidade.

Atualmente, os brasileiros destinam mais de 9% da renda apenas para o pagamento de juros, com o cartão de crédito aparecendo como o grande vilão, com inadimplência no rotativo superando 64%.

Eric Brasil, diretor da LCA, observou que a inadimplência das famílias brasileiras vem crescendo desde o pós-pandemia.

"A gente tem vivenciado na economia brasileira um crescimento da inadimplência das famílias desde o pós-pandemia. 2020, 2021, essa inadimplência começa a crescer, e hoje ela está chegando em um patamar muito parecido com o patamar que nós tínhamos há uma década", explicou em entrevista com CNN Money.

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O que chama atenção é que, diferentemente de outros períodos de alta inadimplência, os demais fundamentos da economia estão em bom estado.

"A gente tem mínima histórica de desemprego, a renda está subindo, a inflação, que no Brasil é elevada, está relativamente controlada e mesmo assim a inadimplência está subindo", destacou.

Crédito rotativo como vilão

O estudo da LCA aponta que o principal problema está no crédito rotativo, que é mais acessível e de curto prazo, mas extremamente caro.

"O principal ponto que tem levado as famílias para um crescimento, para o aumento da inadimplência e colocado as famílias nessa condição de descontrole do orçamento familiar é basicamente dívida no cartão de crédito e no cheque especial", afirmou o diretor da consultoria.

Ele destaca problema está na qualidade desse endividamento, que é extremamente alavancado em crédito de curto prazo com altas taxas de juros.

"Quando a gente olha o nível do endividamento das famílias brasileiras, ele nem é tão alto comparado ao nível de endividamento das famílias nos Estados Unidos, das famílias no Reino Unido, em outros países. O problema aqui no Brasil é a qualidade desse endividamento", ressalta Eric Brasil.

Causas estruturais e possíveis soluções

O estudo também analisou se determinados tipos de consumo poderiam explicar a inadimplência. Contrariando percepções populares, os gastos com apostas online (bets) representam apenas 0,46% do consumo das famílias, bem menos do que os gastos com juros.

Inclusive, segundo o levantamento, o consumo com serviços de streaming chega a ser quase o dobro dos gastos com bets.

Para Eric Brasil, o problema é multifatorial e exige soluções complexas. "Nós temos, de fato, um problema estrutural, histórico no Brasil, porque a nossa taxa de juros básica é muito elevada", afirma. O Brasil possui a segunda maior taxa de juros real do mundo, o que afeta todas as demais taxas no país.

O diretor da LCA defende ações em duas frentes: atacar estruturalmente o que faz com que as taxas de juros sejam tão elevadas no país e implementar políticas públicas mais massificadas de educação financeira.

"Isso precisa ser massificado e isso precisa estar direto na educação elementar, desde os primeiros anos do ensino fundamental, para que, inclusive, as próximas gerações consigam lidar melhor com a gestão dos seus orçamentos familiares", conclui.

Sobre programas como o Desenrola Brasil, Eric avalia que eles atacam apenas os sintomas, não as causas do problema.

"A gente vai sempre esperar a febre subir para atacar a febre, a gente precisa entender a infecção e começar a atacar e combater a infecção", finaliza.


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