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porto velho, domingo 18 de janeiro de 2026

O São Paulo entrou em modo de transição. Júlio Casares teve o impeachment aprovado pelo Conselho Deliberativo na noite de sexta-feira (16) e deixou o comando do clube de forma imediata, mas o processo ainda não está encerrado.
Com o afastamento, quem assume a presidência de maneira interina é o vice Harry Massis Júnior. A crise agora muda de fase: a decisão do Conselho precisa ser submetida à assembleia de sócios, que deve ser convocada em até 30 dias para confirmar ou derrubar o impeachment.
A votação no Morumbis mostrou uma maioria ampla a favor do afastamento. Foram 188 votos pela aprovação, 45 contrários e dois em branco, em uma sessão que expôs o peso da disputa política interna. O placar tira Casares da rotina administrativa do clube, mas não decreta, por si só, uma destituição definitiva.
O rito estatutário prevê que a palavra final seja dos associados. Funciona como uma etapa de confirmação: se os sócios ratificarem a decisão, o afastamento se torna permanente e o São Paulo reorganiza o comando até o próximo processo eleitoral. Se a assembleia rejeitar o impeachment, Casares retorna ao cargo para cumprir o mandato.
A convocação dessa assembleia também tem responsável definido. Cabe ao presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, marcar a votação dentro da janela de 30 dias, o que mantém o clube sob um calendário curto e com pressão constante nos bastidores.
O caminho até o desfecho foi marcado por disputa sobre regras e participação. A reunião que aprovou o impeachment ocorreu em formato híbrido, com conselheiros presencialmente e à distância, depois de uma decisão judicial que garantiu esse modelo. O tema virou um dos pontos mais sensíveis do processo, porque influencia quórum e capacidade de mobilização em votações desse porte.
O impeachment acontece em meio a um conjunto de apurações e desgaste institucional que se acumulou nas últimas semanas. Parte do debate político foi alimentada por investigações sobre movimentações financeiras e por suspeitas ligadas ao uso de espaços do Morumbis, com o caso do camarote ganhando destaque após a circulação de áudios que levantaram suspeitas de comercialização irregular associada a pessoas do entorno diretivo. O episódio ampliou a pressão pública e interna e abriu novas frentes de cobrança por esclarecimentos.