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porto velho, sexta-feira 20 de fevereiro de 2026

PORTO VELHO (RO) – O alto preço dos combustíveis em Rondônia voltou ao centro do debate público e reacendeu questionamentos sobre a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização do setor. Consumidores denunciam a repetição quase uniforme de valores nos postos da capital, com diferenças mínimas de centavos entre estabelecimentos, cenário que levanta suspeitas de possível cartelização.
Na prática, o motorista percorre diferentes bairros de Porto Velho e encontra preços praticamente idênticos nas bombas. A livre concorrência, princípio básico do mercado, parece não refletir no bolso do consumidor rondoniense.
Em dezembro, levantamento nacional apontou Rondônia como o segundo estado com os combustíveis mais caros do país. O dado acendeu o alerta entre economistas e entidades de defesa do consumidor, mas, até o momento, não houve divulgação ampla de operações contundentes ou resultados concretos de fiscalização por parte dos órgãos estaduais.
O Instituto de Pesos e Medidas de Rondônia (Ipem) e o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) são os principais responsáveis por monitorar irregularidades que impactam diretamente o consumidor. No entanto, a presença pública dessas instituições no debate tem sido considerada discreta. Não há divulgação frequente de relatórios detalhados, autuações ou investigações específicas relacionadas à formação de preços dos combustíveis.
Especialistas destacam que, em casos de suspeita de cartelização, cabe também a atuação dos órgãos de defesa da concorrência, já que a prática configura infração à ordem econômica e pode resultar em sanções severas. A ausência de investigações amplamente divulgadas reforça a percepção de desamparo por parte da população.
O sindicato que representa a categoria dos postos de combustíveis também é citado por consumidores como pouco atuante na mediação pública do tema. Até o momento, não houve posicionamento claro que esclareça os critérios de formação de preços adotados na capital.
Enquanto isso, o impacto é direto na economia local. O aumento constante do valor da gasolina e do diesel encarece o transporte, pressiona o comércio e afeta o custo de vida das famílias.
Diante do cenário, cresce a cobrança para que os órgãos fiscalizadores ampliem a transparência, intensifiquem operações e tornem públicas eventuais investigações. Para o consumidor rondoniense, mais do que justificativas, o que se espera é ação concreta.