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porto velho, sexta-feira 6 de março de 2026

A prisão de Luiz Phillipi Mourão, apontado pela investigação como “sicário” ligado ao empresário Daniel Vorcaro, deu início a uma guerra de versões sobre o estado de saúde do investigado após uma tentativa de suicídio dentro da carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte.
Mourão, de 43 anos, foi preso durante a Operação Compliance Zero, que apura crimes relacionados ao escândalo do Banco Master.
Segundo a investigação, ele atuava como líder operacional de um núcleo responsável por intimidar e constranger adversários do banqueiro. Nos autos, é descrito como um matador de aluguel, apelidado pelos próprios comparsas de “Sicário”.
A tentativa de suicídio ocorreu na tarde de quarta-feira (4/3), enquanto Mourão aguardava audiência de custódia na sede da PF na capital mineira.
De acordo com a corporação, por volta das 15h30, ele retirou a própria camisa, de mangas longas, e a utilizou para se enforcar nas grades da cela.
Policiais perceberam a situação cerca de 10 minutos depois e iniciaram manobras de reanimação. Procedimento que durou cerca de 30 minutos.
O atendimento foi realizado inicialmente por agentes do Grupo de Pronta Intervenção da PF e depois por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O investigado foi levado em estado grave ao Hospital João XXIII, referência em trauma em Minas Gerais.
Ao longo das horas seguintes, informações divergentes sobre o estado de saúde de Mourão passaram a ser dadas por instituições envolvidas no caso.
Na noite de quarta-feira, a Polícia Federal confirmou que médicos do hospital teriam constatado morte cerebral.
Minutos depois, porém, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais divulgou nota afirmando que o paciente seguia internado em estado gravíssimo no CTI.
Nessa quinta-feira (5), a defesa apresentou uma terceira versão. Segundo o advogado Robson Lucas da Silva, Mourão permanece vivo e internado em estado grave, porém sem abertura do protocolo médico para confirmação de morte encefálica.
A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da tentativa de suicídio na custódia da corporação.
Segundo a PF, a cela onde Mourão estava preso é monitorada por câmeras e não possui pontos cegos.
As imagens teriam registrado toda a sequência do episódio e mostram que nenhum objeto além da própria camisa foi utilizado.
A PF informou ainda que as gravações serão encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal, onde o caso é relatado pelo ministro André Mendonça.
Segundo a investigação, Mourão tem um histórico ligado a atividades criminosas e coordenava um dos núcleos da organização suspeita de atuar em favor de interesses ligados ao Banco Master.
Os investigadores afirmam que ele recebia cerca de R$ 1 milhão por mês pelos serviços considerados ilícitos, que incluiriam ameaças e pressões contra adversários.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais confirmou que Mourão já era réu em outro processo por participação em organização criminosa, crimes contra a economia popular e lavagem de dinheiro.
Registros da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais indicam que ele chegou a ficar preso por cinco dias em 2020.
Durante a operação que levou à prisão do investigado, a Polícia Rodoviária Federal também apreendeu um carro blindado ligado a ele na BR-381, no sul de Minas.
O veículo, avaliado em mais de R$ 700 mil, era conduzido por um casal que acabou preso por ordem do Supremo Tribunal Federal.