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    porto velho, sexta-feira 19 de junho de 2026

Manejo sanitário em equinos: o que muda no controle de parasitas

Em um cenário de maior pressão por desempenho, bem-estar e uso racional de medicamentos, o manejo sanitário passou...


assessoria

Publicada em: 26/05/2026 16:13:04 - Atualizado

foto - reprodução

O controle de parasitas em equinos deixou de ser uma rotina baseada apenas em calendário fixo de vermifugação. A mudança mais importante está no entendimento de que nem todo animal elimina a mesma quantidade de ovos nas fezes, nem responde da mesma forma aos princípios ativos disponíveis. Em um cenário de maior pressão por desempenho, bem-estar e uso racional de medicamentos, o manejo sanitário passou a exigir diagnóstico, estratificação de risco e revisão periódica do protocolo.

Essa atualização não é teórica. O Brasil mantém um dos maiores plantéis de equinos do mundo, com cerca de 5,8 milhões de cabeças, segundo o IBGE, o que amplia a relevância de práticas sanitárias consistentes. Ao mesmo tempo, trabalhos acadêmicos nacionais vêm registrando alta ocorrência de helmintos e sinais de resistência anti-helmíntica em diferentes regiões.

Na prática, isso significa que repetir o mesmo produto no mesmo intervalo, para todos os animais, tende a ser menos eficiente e pode acelerar falhas de controle. Acompanhe mais sobre o assunto a seguir!

O controle seletivo ganha espaço

Durante muitos anos, a vermifugação estratégica foi associada a aplicações em massa, feitas em datas predefinidas. Hoje, a tendência técnica é outra: tratar com base em evidências do rebanho e do indivíduo. O exame coproparasitológico, especialmente a contagem de ovos por grama de fezes, ajuda a identificar os equinos que mais contaminam o ambiente e que, portanto, merecem atenção prioritária.

Essa lógica reduz o uso desnecessário de anti-helmínticos e ajuda a preservar a eficácia dos princípios ativos. Em vez de medicar todos os animais com a mesma frequência, o manejo moderno diferencia categorias como potros, matrizes, atletas e animais idosos. Potros, por exemplo, exigem vigilância maior, enquanto adultos saudáveis podem entrar em protocolos mais seletivos, desde que sejam monitorados.

A resistência parasitária muda a decisão no campo

A resistência anti-helmíntica é um dos principais motivos para a revisão dos protocolos. Estudos brasileiros apontam perda de eficácia de moléculas consagradas em determinadas propriedades, o que torna inadequada a escolha do produto apenas por hábito ou experiência anterior. Quando a resposta clínica parece curta, ou quando os exames continuam altos após o tratamento, a suspeita de resistência precisa entrar no radar.

Nesse contexto, o uso de informação técnica confiável faz diferença. Ao avaliar princípios ativos, espectro de ação, categorias indicadas e cuidados de manejo, materiais especializados sobre remédio de verme para cavalo podem complementar a tomada de decisão junto ao médico-veterinário. O ponto central, porém, permanece o mesmo: sem diagnóstico e sem avaliação de eficácia, até um produto adequado pode ser mal utilizado.

O ambiente pesa tanto quanto o medicamento

O controle de parasitas não depende apenas da seringa ou da pasta oral. Pastagens superlotadas, acúmulo de fezes, piquetes pequenos e rodízio mal planejado aumentam a carga parasitária no ambiente e favorecem reinfecções rápidas. Em outras palavras, tratar o animal sem corrigir o manejo do local costuma produzir alívio temporário, não controle consistente.

Boas práticas simples têm impacto direto. A retirada frequente de fezes em baias e piquetes, o descanso de áreas de pastejo e a separação por faixa etária ajudam a reduzir a pressão de infecção. Esse ponto é especialmente importante porque animais jovens tendem a ser mais suscetíveis. Quando o ambiente permanece fortemente contaminado, o intervalo entre tratamentos pode encurtar não por necessidade biológica do animal, mas por falha estrutural do sistema.

As categorias animais pedem protocolos distintos

Uma das mudanças mais relevantes no manejo sanitário é abandonar a ideia de protocolo único para toda a tropa. Potros convivem com riscos parasitários diferentes dos observados em éguas adultas ou cavalos em trabalho esportivo. A fase fisiológica, a imunidade, o sistema de criação e a intensidade de exposição ao pasto alteram o risco e a resposta ao tratamento.

Éguas no periparto, por exemplo, merecem atenção especial porque alterações fisiológicas podem favorecer maior eliminação de ovos. Animais atletas, por sua vez, podem manifestar perda de desempenho, queda de escore corporal e desconforto gastrointestinal de forma mais perceptível, mesmo com cargas parasitárias moderadas. Já equinos idosos ou debilitados exigem cautela extra, porque sinais inespecíficos, como apatia e emagrecimento, podem se confundir com outras condições clínicas.

Sinais que merecem investigação

Entre os indícios que pedem revisão do protocolo sanitário, destacam-se:

  • Perda de condição corporal;
  • Pelagem opaca;
  • Cólicas recorrentes;
  • Diarreia ou fezes malformadas;
  • Queda de desempenho;
  • Crescimento irregular em potros.

Esses sinais não confirmam verminose isoladamente, mas justificam avaliação clínica e laboratorial. Em equinos, o erro comum é tratar apenas pelo sintoma, sem investigar a origem do problema.

O calendário fixo perde força diante do monitoramento

O modelo clássico de vermifugar todos os animais a cada determinado número de meses vem sendo substituído por programas mais dinâmicos. O motivo é simples: a realidade parasitária varia conforme clima, lotação, higiene, categoria animal e histórico da propriedade. Em regiões e estações mais favoráveis à sobrevivência das larvas no ambiente, o risco muda. Em sistemas mais intensivos, também muda.

Notícias setoriais publicadas no início de 2026 destacaram justamente a importância de protocolos por categoria animal na equinocultura, reforçando uma discussão que já vinha da pesquisa acadêmica. O que isso muda no campo é a necessidade de revisar o calendário à luz dos exames e do contexto da fazenda. O protocolo eficiente é o que dialoga com a realidade sanitária da propriedade, não o que apenas repete uma rotina antiga.

O papel do veterinário se torna mais estratégico

Com maior complexidade técnica, o médico-veterinário deixa de atuar apenas na prescrição e passa a organizar um programa sanitário integrado. Isso inclui definir quando coletar fezes, interpretar resultados, testar eficácia pós-tratamento, ajustar dose ao peso real e orientar mudanças de manejo. Esse acompanhamento é importante porque a subdosagem, ainda comum na prática, favorece falhas terapêuticas e seleção de parasitas resistentes.

Também cabe ao profissional avaliar limitações e contraindicações. Nem todo princípio ativo é indicado para todas as idades, condições fisiológicas ou associações de fármacos. Em animais com doença concomitante, emagrecimento severo ou histórico de sensibilidade, a conduta precisa ser individualizada. Em sanidade equina, a pressa em medicar sem critério costuma custar mais caro depois.

O manejo moderno combina prevenção e eficiência

O que muda no controle de parasitas, portanto, não é apenas o produto utilizado, mas a lógica de decisão. O foco sai do tratamento repetitivo e entra na combinação entre diagnóstico, monitoramento, manejo ambiental e uso racional de anti-helmínticos. Esse modelo tende a proteger melhor o animal, reduzir desperdícios e ampliar a sustentabilidade sanitária da tropa.

Quando a propriedade entende quais animais realmente precisam de intervenção, em que momento e sob quais condições, o controle parasitário deixa de ser uma rotina automática e passa a funcionar como ferramenta de saúde e desempenho.

Referências

EMBRAPA. Algumas doenças parasitárias de importância veterinária na criação de animais monogástricos. 2026. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1179409.

EMBRAPA. Capítulo 10: equídeos. 2026. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1153978/1/Equideos.pdf.

FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS. PIB agropecuário: da forte expansão em 2025 para estabilidade em 2026. 2026. Disponível em: https://portalibre.fgv.br/noticias/pib-agropecuario-da-forte-expansao-em-2025-para-estabilidade-em-2026.

IBGE. Rebanho de equinos no Brasil. 2026. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/explica/producao-agropecuaria/equinos/br.

LOPES, P. L. B. Estudo da eficácia anti-helmíntica e resistência parasitária de avermectinas administradas por vias oral e intramuscular e avaliação do perfil bioquímico em equinos. 2023. Disponível em: http://repositorio.uft.edu.br/handle/11612/7057.

MENEZES, Y. Prevalência de helmintos gastrointestinais em equinos, no município de Morrinhos, Goiás. 2023. Disponível em: https://repositorio.ifgoiano.edu.br/handle/prefix/3751.

SUCESSO NO CAMPO. Manejo de verminoses em equinos: por que protocolos por categoria animal são fundamentais. 2026. Disponível em: https://sucessonocampo.com.br/manejo-de-verminoses-em-equinos-por-que-protocolos-por-categoria-animal-sao-fundamentais/.


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