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porto velho, quinta-feira 11 de junho de 2026

A residência oficial do Brasil em Roma do Itamaraty tornou-se, nos últimos anos, refúgio de artistas que declararam apoio ao presidente Lula (PT) na eleição de 2022. Mantido com recursos públicos, o prédio histórico no centro da capital italiana deu guarida, durante o governo Lula III, a artistas como as cantoras Fafá de Belém e Mônica Salmaso e os escritores Marcelo Rubens Paiva e Aline Bei, entre outros.
A lista foi obtida pela coluna via Lei de Acesso à Informação (LAI). Esses artistas foram mencionados porque viajaram com recursos públicos do Programa de Diplomacia Cultural — uma iniciativa do Ministério das Relações Exteriores para a promoção da cultura brasileira no exterior.
Outros hóspedes, como o ator Fábio Porchat, não constam da lista. Porchat viajou com recursos próprios e foi recebido como hóspede privado do embaixador brasileiro em Roma, Renato Mosca.
Ao todo, o Itamaraty informou as estadias de 68 pessoas e seus acompanhantes. A maioria é de autoridades e seus assessores, inclusive o presidente Lula, a primeira-dama Rosângela da Silva (Janja) e a ex-presidente Dilma Rousseff (leia mais abaixo).
Como mostrou a coluna, a operação dos prédios de embaixadas e residências oficiais do Brasil no exterior custou pelo menos R$ 240,5 milhões em 2025.
Fafá de Belém hospedou-se na residência oficial em Roma entre os dias 18 e 22 de maio de 2024, junto com o multi-instrumentista André Mehmari — os dois apresentaram-se em Roma e em San Marino (um pequeno país dentro da Itália). O valor aprovado para a atividade foi de 45.122,00 euros, equivalente a R$ 273,8 mil em valores de hoje.
Em 2022, a cantora publicou vídeo em suas redes sociais declarando apoio a Lula no 1º turno. “Pela permanência do Estado Democrático, pela vida, por quem sobreviveu, por quem está aqui hoje, pela minha filha (…), eu, Maria de Fátima, Fafá de Belém, 66 anos, voto Lula”, diz ela na postagem.
O valor da atividade de Fafá de Belém foi bem maior do que o da cantora Mônica Salmaso — ela e dois músicos que a acompanham também se hospedaram na residência oficial em Roma, em outubro de 2024. No caso dela, a atividade foi orçada em 7.650 euros, o que equivale a R$ 51,2 mil no câmbio da época, corrigido pela inflação.
Desde fevereiro deste ano, a coluna tenta obter a lista de hóspedes das embaixadas brasileiras no exterior via Lei de Acesso à Informação. Inicialmente, o Itamaraty negou acesso às informações, alegando tratar-se de pedido “desarrazoado” e “desproporcional”.