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porto velho, segunda-feira 6 de julho de 2026

BRASIL: A cocaína apreendida na Amazônia Legal já representa a sexta “commodity” mais valiosa da região, superando produtos tradicionais como ouro, animais vivos e oleaginosas. A informação é de um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, obtido com exclusividade pelo jornal O Globo.
Segundo o estudo, as apreensões realizadas nos nove estados da Amazônia Legal em 2024 somaram um valor estimado de US$ 703,7 milhões. No ranking econômico, a droga fica atrás apenas de setores consolidados, como o complexo da soja (US$ 20,3 bilhões), cereais e farinhas (US$ 6,5 bilhões) e carnes (US$ 5,5 bilhões).
De acordo com o diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, o valor é conservador, pois considera apenas a droga apreendida. Segundo ele, estimativas indicam que apenas cerca de 10% da cocaína em circulação é interceptada pelas autoridades. Nesse cenário, o mercado ilegal poderia movimentar aproximadamente US$ 7 bilhões, tornando a cocaína a segunda principal commodity da região.
O levantamento também conclui que o tráfico de drogas deixou de ser apenas um problema de segurança pública e passou a atuar como um motor econômico ilícito, financiando crimes como garimpo ilegal, grilagem de terras e extração ilegal de madeira. O estudo aponta ainda a atuação de pelo menos 17 facções criminosas na Amazônia, com destaque para o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que disputam o controle de territórios e rotas do narcotráfico.
A pesquisa será apresentada na próxima semana à Concertação pela Amazônia e alerta para o avanço da chamada “governança criminal”, fenômeno em que organizações criminosas passam a controlar economias, territórios e modos de vida em diversas áreas da floresta.