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    porto velho, sábado 27 de junho de 2026

Lei de vereador pode "aliviar" criminosos ambientais em Porto Velho

Proposta de Adriano Gomes contraria política ambiental do prefeito Léo Moraes


Redação

Publicada em: 05/08/2025 12:15:32 - Atualizado


PORTO VELHO (RO) - Após ser considerada, no ano passado, a cidade com a pior qualidade do ar do mundo, tomada por uma densa nuvem de fumaça que durou meses, Porto Velho pode estar prestes a sofrer novo revés ambiental. Isso porque um projeto de lei complementar (PLC), de autoria do vereador Adriano Gomes (PRTB), visa reduzir drasticamente as multas aplicadas a responsáveis por queimadas ilegais no município.

A proposta vai de encontro ao projeto defendido pelo prefeito Léo Moraes (PODE), que previa multas de até R$ 10 milhões para criminosos ambientais que promovem incêndios de grandes proporções, especialmente na zona rural da capital.

Redução drástica nas penalidades

Pelo texto apresentado por Adriano Gomes, o valor máximo da multa para incendiadores passaria a ser de 50 Unidades Padrão Fiscal do Município (UPF-PVH) por hectare ou fração, o que equivale atualmente a R$ 5.182,50.

Na prática, um infrator que incendiar uma área de 100 mil metros quadrados (10 hectares) poderá ser multado em pouco mais de R$ 50 mil — valor considerado irrisório se comparado aos danos causados ao meio ambiente e à saúde pública.

Para pequenos produtores, a penalidade seria ainda menor: 10 UPFs por hectare, ou R$ 1.036,50 por hectare queimado.

Segundo o vereador, a medida visa “preservar o caráter educativo e proporcional da norma ambiental”, garantindo que famílias que dependem da agricultura de subsistência não sejam penalizadas com rigor excessivo.

“A proposta visa preservar o caráter educativo e proporcional da norma ambiental, evitando sanções desproporcionais que possam comprometer a subsistência de famílias que dependem da atividade agrícola. Ao mesmo tempo, mantém o rigor da fiscalização e da multa para quem desrespeita as normas de forma reincidente ou danosa ao meio ambiente”, afirmou Adriano Gomes.

Risco de nova tragédia ambiental

A proposta, no entanto, acende o alerta entre ambientalistas e agentes públicos, que apontam o risco de estímulo à impunidade. Assim como ocorreu nos anos anteriores, grupos criminosos podem se aproveitar do período de seca intensa — que se inicia neste mês de agosto — para promover queimadas em larga escala.

A medida também é vista como um retrocesso nas políticas ambientais do município, especialmente após o colapso atmosférico que Porto Velho enfrentou em 2024, com escolas fechadas, hospitais lotados e impactos graves à saúde da população.


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