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porto velho, segunda-feira 10 de agosto de 2026

PORTO VELHO-RO: De partido com participação discreta a uma legenda organizada para entrar efetivamente na disputa proporcional de 2026. Esse foi o caminho percorrido pelo Avante em Rondônia sob o comando do ex-deputado estadual Jair Montes, que apostou na montagem antecipada das nominatas e na articulação política para ampliar o espaço da sigla no cenário estadual.
Na linguagem popular, Montes conseguiu “tirar água de pedra”. À frente de uma legenda sem o mesmo tamanho e estrutura dos grandes partidos, trabalhou para reunir candidatos e construir nominatas para deputado estadual e federal. O principal investimento foi direcionado à Assembleia Legislativa, onde estarão em disputa 24 cadeiras.
A estratégia também aproximou o Avante do bloco político liderado pelo PSD e inseriu a legenda em uma composição partidária mais ampla para as eleições deste ano. A participação na convenção conjunta serviu como demonstração da estrutura montada para a campanha e da tentativa do partido de deixar a condição de coadjuvante.
Assembleia é a principal aposta
É na corrida pela Assembleia Legislativa que o Avante concentra boa parte de suas expectativas. Jair Montes reuniu nomes de diferentes regiões e segmentos, buscando formar uma chapa capaz de acumular votos suficientes para disputar cadeiras no sistema proporcional.
A montagem desse grupo exigiu um trabalho que vai além da simples filiação de candidatos. Em uma eleição proporcional, equilibrar a nominata, evitar grandes disparidades entre os concorrentes e atrair candidaturas com bases eleitorais próprias são fatores importantes para o desempenho partidário.
Montes utilizou justamente sua experiência política nesse processo. Ex-deputado estadual e conhecedor das articulações partidárias de Rondônia, assumiu pessoalmente a tarefa de organizar o Avante e preparar a legenda para chegar às urnas com candidaturas próprias.
Mulheres ganham espaço na disputa federal
Para a Câmara dos Deputados, o partido também buscou nomes com alguma experiência eleitoral. Entre as candidaturas femininas aparecem Vanessa Lucena, de Candeias do Jamari, com atuação especialmente na área social, além de Najara Leandra e Elina Damásio. As três já tiveram contato com as urnas em disputas municipais.
Na ala masculina, a aposta inclui nomes que ainda buscam maior projeção na política estadual, numa tentativa de combinar renovação com diferentes bases eleitorais. Entre os integrantes da nominata estão Carlos Eduardo Araújo, Antenor Kloch, Jair Ferrari, Jair Monte Júnior, Jolian Inácio Galdino e Luiz Inácio Coelho, além dos demais nomes homologados pela legenda.
A presença de Jair Monte Júnior também chama atenção por representar a continuidade de um núcleo político familiar. Filho de Jair Montes, o jovem entra na disputa federal buscando construir trajetória própria e herdar parte do capital político acumulado pelo pai.
De “nanico” a participante da disputa
O desafio agora é transformar organização partidária em votos. O Avante continua sendo uma legenda menor quando comparado às grandes estruturas políticas do Estado, mas chega às eleições de 2026 em situação diferente daquela de outros pleitos: possui nominatas montadas, participação em uma aliança majoritária e uma direção estadual diretamente envolvida na campanha.
O mérito político de Jair Montes, independentemente do resultado que sairá das urnas, está justamente na montagem dessa estrutura. Com poucos recursos políticos à disposição inicialmente, conseguiu reunir candidatos e inserir o partido em uma composição estadual mais ampla.
Até onde o Avante conseguirá chegar será uma resposta dada exclusivamente pelo eleitor. Mas uma coisa já está definida antes da abertura das urnas: sob o comando diligente de Jair Montes, a legenda deixou de assistir à eleição da arquibancada e decidiu entrar em campo.
Agora, resta saber se a organização construída nos bastidores será suficiente para se transformar em representação política nas urnas.