• Fundado em 11/10/2001

    porto velho, segunda-feira 10 de agosto de 2026

Jefferson Rocha mira Câmara Federal e aponta soluções para a saúde de Rondônia

“Eu vejo que a política é o caminho. A gente pode ajudar muito mais. Você consegue fazer muita coisa pelas pessoas em alguns cargos, mas a política é o que movimenta...


Redação

Publicada em: 10/08/2026 14:32:49 - Atualizado

Foto: Rondonoticias

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá e conduzido excepcionalmente pelo comunicador e jornalista Ray Lavareda, que substitui temporariamente o titular durante sua viagem, o programa A Voz do Povo desta segunda-feira (10) recebeu o coronel Jefferson Rocha, ex-secretário de Estado da Saúde e pré-candidato a deputado federal por Rondônia. Durante a entrevista, ele falou sobre a decisão de entrar na disputa eleitoral, fez um balanço de sua passagem pela saúde estadual e apresentou propostas que pretende defender caso conquiste uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Ao explicar o que o levou a colocar o nome à disposição, Jefferson Rocha afirmou que a decisão amadureceu durante viagens pelo interior de Rondônia e após conversas com pessoas próximas. Segundo ele, a experiência acumulada no serviço público reforçou a percepção de que um mandato parlamentar poderia ampliar sua capacidade de interferir na construção de políticas públicas.

“Eu vejo que a política é o caminho. A gente pode ajudar muito mais. Você consegue fazer muita coisa pelas pessoas em alguns cargos, mas a política é o que movimenta realmente as decisões, principalmente para as políticas públicas”, afirmou.

O coronel contou que a entrada na política eleitoral não foi uma escolha imediata e envolveu uma discussão familiar. Para ele, a candidatura também representa uma forma de retribuir ao estado onde construiu grande parte da vida profissional e pessoal. Paraense, Jefferson Rocha relatou que chegou a Rondônia em 2003, após sua formação em Manaus, inicialmente para permanecer por um período curto, mas acabou estabelecendo raízes no estado.

“Eu vim para ficar seis meses e estou aqui há 24 anos. Aqui eu casei, aqui tenho três filhas e aqui desenvolvi toda a minha vida”, declarou.

Saúde pública entra no centro das propostas

A passagem pela Secretaria de Estado da Saúde ocupou parte significativa da entrevista. Jefferson Rocha apontou o subfinanciamento como um dos gargalos do setor, mas ressaltou que nem todos os problemas dependem exclusivamente de grandes aportes financeiros. Para ele, mudanças na gestão, integração de informações e uso de tecnologia podem produzir resultados importantes.

Um dos pontos defendidos pelo ex-secretário é a integração dos bancos de dados utilizados pelos municípios e pelo Estado. Na avaliação dele, a falta de comunicação adequada entre os sistemas contribui para que pacientes enfrentem dificuldades e permaneçam circulando pela rede de atendimento sem uma solução rápida.

“Nós fizemos um projeto de regulação para centralizar os bancos de dados. Hoje, os municípios não se comunicam com o Estado, eles se comunicam de forma muito precária e, com isso, muitos pacientes ficam perdidos na rede”, disse.

Jefferson Rocha também defendeu a utilização de tecnologia e inteligência artificial para melhorar o acompanhamento dos pacientes, medicamentos e procedimentos. Segundo ele, um sistema integrado poderia aumentar a eficiência da saúde pública e ajudar a reduzir desperdícios.

“Só na parte de eficiência, esse projeto vai se pagar nos custos de medicamentos, por exemplo, porque o medicamento estará controlado e o paciente terá acompanhamento desde o acesso até a alta”, explicou.

Descentralização para enfrentar filas

Questionado por Ray Lavareda sobre pacientes que precisam chegar de madrugada às unidades para conseguir atendimento ou realizar exames, o pré-candidato defendeu a descentralização dos serviços como uma das alternativas para diminuir as filas.

Jefferson Rocha citou exames laboratoriais básicos, como o hemograma, que, segundo ele, poderiam ser realizados mais perto da população, evitando deslocamentos desnecessários e a concentração da demanda em poucas unidades.

“Muitas daquelas pessoas que estão naquela fila estão ali para coletar um hemograma. É um exame básico que uma unidade básica de saúde poderia ter condições de realizar”, afirmou.

O ex-secretário disse que uma eventual atuação na Câmara Federal permitiria direcionar emendas para ampliar a estrutura de diagnóstico nos municípios, incluindo exames laboratoriais e de imagem. Ele também defendeu a participação da iniciativa privada por meio de credenciamento para complementar a estrutura pública quando necessário.

“Uma emenda pode descentralizar tanto os exames diagnósticos laboratoriais como os de imagem. De repente, você não consegue chegar com o serviço público em todas as unidades, mas consegue descentralizar”, declarou.

Jefferson Rocha destaca entregas na saúde

Ao avaliar sua passagem pela Secretaria de Saúde, Jefferson Rocha citou projetos que considera relevantes e também ações que ficaram pendentes. Entre elas, mencionou uma obra que, segundo ele, chegou a ser licitada, mas enfrentou problemas com as empresas responsáveis pela execução e deverá ter continuidade nas gestões seguintes.

Como resultados, destacou a descentralização de cirurgias, a estruturação do hospital de Guajará-Mirim, melhorias no Cemetron e a ampliação da estrutura do Hospital de Base.

Sobre Guajará-Mirim, afirmou que a unidade passou anos sendo discutida até entrar em funcionamento. “Foram mais de 12 anos sendo notícia. Em um ano, um ano e meio no máximo, o hospital já estava funcionando”, afirmou.

Ele também citou a implantação de dez leitos modernos de UTI no Cemetron e a conclusão, no Hospital de Base, de uma estrutura destinada à maternidade e ao atendimento obstétrico, com duas salas cirúrgicas e 56 novos leitos voltados à gravidez de alto risco.

Prevenção na saúde e na segurança

Ao relacionar sua experiência nas áreas de saúde e segurança pública, Jefferson Rocha defendeu maior atenção às políticas preventivas. Segundo ele, tanto no combate às doenças quanto à criminalidade, atuar antes que o problema alcance situações mais graves pode produzir resultados mais duradouros.

Como exemplo, lembrou experiências de Polícia Comunitária desenvolvidas na Zona Leste de Porto Velho, com atividades realizadas dentro de escolas.

“A gente precisa trabalhar a atenção primária. É você cuidar do ambiente escolar junto com a escola e com a Polícia Militar”, afirmou.

Foto: Rondonoticias

Jefferson citou ações envolvendo música, judô e jiu-jitsu e defendeu a aproximação entre policiais e comunidade como estratégia para impedir o avanço da criminalidade. “A atenção primária a gente acaba deixando de lado, e é onde você consegue cuidar tanto da doença como do crime na base”, acrescentou.

Formação de especialistas é apontada como saída

Outro tema abordado foi a falta de médicos especialistas e a demora enfrentada pela população para consultas e cirurgias. Jefferson Rocha destacou investimentos em formação profissional e residências médicas como parte da resposta ao problema.

Segundo ele, a transformação de uma escola técnica em uma estrutura de educação superior voltada à saúde pública abriu espaço para ampliar programas de residência e qualificação profissional.

O ex-secretário citou o Hospital João Paulo II como exemplo e afirmou que a formação de especialistas em urgência e emergência pode fortalecer diretamente a capacidade de atendimento da unidade.

“Não é só um clínico que vai atender um paciente, mas um médico especialista em urgência e emergência dentro do João Paulo. Hoje nós temos uma sala vermelha com condições de salvar vidas”, declarou.

Experiência militar e gestão pública

Jefferson Rocha também respondeu às críticas que recebeu por ser militar e ter assumido a Secretaria de Saúde. Segundo ele, sua trajetória nas Forças Armadas e na Polícia Militar proporcionou experiência em administração, logística, planejamento e gestão.

O coronel afirmou ter formação em administração pelo Exército e especializações relacionadas a planejamento estratégico, compras públicas, segurança pública e parcerias público-privadas. Ele também lembrou sua participação em trabalhos de estruturação e logística ligados à BR-319.

Para Jefferson, comandar uma secretaria não exige necessariamente formação específica na atividade-fim, desde que o gestor domine os instrumentos administrativos e esteja cercado de profissionais tecnicamente capacitados.

“O gestor é gestor de pessoas, de recursos humanos, do lado operacional e do plano estratégico. Você não precisa necessariamente ser daquela área. Tem que ter os conceitos básicos de trabalho e saber como chegar ao objetivo”, afirmou.

Ao recordar o convite para assumir a Saúde, o coronel resumiu a forma como encarou o desafio: “Todo militar trabalha sob missão. Missão dada, vou procurar cumprir”.

Com a pré-candidatura à Câmara dos Deputados, Jefferson Rocha busca transformar a experiência acumulada na administração pública, na saúde e na segurança em plataforma eleitoral. 

Durante a entrevista, deixou claro que pretende colocar a saúde entre os principais eixos de uma eventual atuação em Brasília, especialmente na busca por recursos, integração tecnológica, descentralização dos atendimentos e fortalecimento da formação de profissionais para reduzir gargalos enfrentados pela população de Rondônia.

ASSISTA A ENTREVISTA COMPLETA E AO VIVO AQUI:


Fale conosco