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    porto velho, quinta-feira 11 de junho de 2026

Medo da radiação ainda afasta pacientes de exames que podem salvar vidas


Brazil Health

Publicada em: 11/06/2026 10:16:07 - Atualizado

O aumento do uso de exames de imagem na medicina moderna, indispensáveis para o rastreio e o diagnóstico de várias doenças e para o acompanhamento preciso de tratamentos, tem despertado em muitos pacientes receio de exposição à radiação. O medo é compreensível, principalmente quando consideramos que, para a maioria das pessoas, a radiação está associada a eventos catastróficos, como a explosão das bombas atômicas que destruíram Hiroshima e Nagasaki, o desastre da usina de Chernobyl e – bem mais perto de nós – a exposição ao Césio-137 proveniente de um aparelho de radioterapia abandonado, fato que, há quase 40 anos, marcou o país.

Na medicina contemporânea, porém, exames de imagem e tratamentos guiados por radiação são parte da rotina. O SUS realiza anualmente mais de 100 milhões de exames de imagem que utilizam radiação ionizante, montante que, somado ao total de exames realizados na rede privada, chega a 168 milhões por ano, segundo mapeamento do Atlas da Radiologia no Brasil. O que nem todos conhecem é o grau de evolução tecnológica da área: hoje, equipamentos muito mais modernos conseguem produzir imagens mais precisas com doses muito menores de radiação do que as usadas no passado.

No final do século XIX e início do século XX, quando a radiologia estava em seus primórdios, havia riscos reais, pois, sem conhecer os efeitos da radiação ionizante, cientistas e profissionais de saúde se expunham a altas doses sem nenhum tipo de proteção, sofrendo graves consequências, como queimaduras, amputações e até mortes por câncer. De lá para cá, as coisas mudaram radicalmente, tanto no quesito proteção de pacientes e de profissionais quanto na evolução dos próprios equipamentos, inclusive com uso de inteligência artificial.

A tomografia computadorizada é o exame que mais expõe o paciente à radiação, mas, há várias décadas, os equipamentos, além de muito mais eficientes na captura das imagens, reduziram sobremaneira o tempo de exposição à radiação. Hoje temos aparelhos equipados com algoritmos que ajustam a dose de radiação com base na anatomia do paciente.

Além da inovação tecnológica, os protocolos de proteção também evoluíram. Hoje nenhum exame com radiação pode ser feito sem que haja justificativa médica consistente, que comprove que o benefício do diagnóstico supera o risco da exposição, por mínima que seja. Vale o princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable), isto é, a dose deve ser “tão baixa quanto racionalmente exequível”.

Assim, a dose de radiação é calculada de acordo com o peso e a altura do paciente, sendo drasticamente reduzida em caso de exames em crianças, cujas células se multiplicam mais rápido e são mais sensíveis, podendo sofrer danos mais severos. Os trabalhadores da saúde (técnicos e médicos) também estão protegidos, sendo garantido a eles um teto de radiação acumulada permitida por ano.

Os pacientes podem e devem questionar os médicos quando lhes são pedidos exames. É importante saber se o exame é realmente necessário naquele momento, que benefícios pode trazer ao tratamento, que tipo de proteção será usado e, finalmente, se há opções sem radiação. Vale lembrar que ultrassonografia e ressonância magnética não usam radiação, não oferecendo nenhum risco. No caso de gestantes, caso seja realmente necessário fazer uma tomografia na região abdominal ou na pelve, o médico deve adotar protocolos de proteção máxima.

É importante ter em mente que os exames são ferramentas absolutamente necessárias para orientar os tratamentos e jamais devem ser negligenciados por qualquer tipo de receio. Hoje os protocolos e os equipamentos oferecem segurança a todos os pacientes.

*Texto escrito pelo radiologista Giovanni Cerri (CRM 28697), do Serviço de Diagnóstico por Imagem do Hospital Sírio-Libanês e head de Radiologia da Brazil Health





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