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porto velho, quinta-feira 28 de agosto de 2025
BRASIL: A estudante Juliana Soares, de 35 anos, que foi vítima de uma tentativa de feminicídio em Natal (RN), contou que voltou a receber ameaças após o episódio de violência sofrido em julho. Ela foi agredida com 61 socos dentro de um elevador por seu então namorado, o ex-jogador de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral, que está preso e responde na Justiça.
Em entrevista ao programa Encontro, da TV Globo, nesta quinta-feira, 28, Juliana revelou que foi alvo de intimidação pela internet. “Recebi uma ameaça dizendo que iam vir a Natal e me dar 121 socos. Eram palavras horríveis, que não posso nem repetir ao vivo”, disse.
O crime ocorreu em um condomínio no bairro de Ponta Negra, Zona Sul da capital potiguar. A vítima sofreu múltiplas fraturas na face e na mandíbula e precisou de atendimento médico. O caso repercutiu nacionalmente e levou à prisão de Cabral, denunciado por tentativa de feminicídio.
Segundo Juliana, além das marcas físicas, a violência deixou sequelas emocionais. “Eu tenho alguns comportamentos que não tinha antes, de estar em estado de vigília. Isso é pós-traumático, já é esperado, e eu estou com acompanhamento psiquiátrico e psicológico”, relatou.
Apesar do trauma, ela afirmou que tenta ressignificar a dor e usar a visibilidade de seu caso para conscientizar outras mulheres sobre os sinais de agressão. “Transformei a dor em missão. Se eu consegui, outras mulheres também conseguem. Eu sou uma vítima, mas não sou coitada. O amor não machuca, o amor cuida. Qualquer sinal contrário disso é motivo para se afastar, porque às vezes pode ser que você não tenha uma segunda chance, assim como eu tive”, declarou.
Juliana tem participado de rodas de conversa e ações de conscientização. Para ela, é fundamental alertar que a violência não se resume apenas às agressões físicas. “Algumas pessoas pensam que a violência só acontece quando existe agressão, mas ela tem vários níveis, várias camadas. A violência começa com uma palavra mal dita, um gesto que nem sempre é uma agressão física”, afirmou.