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    porto velho, quarta-feira 17 de junho de 2026

Gilmar Mendes vota para soltar imediantamente Felipe Vorcaro apesar de bilhões desviados

Ministro votou para que primo de Daniel Vorcaro seja proibido de falar com outros investigados e o pai do banqueiro use tornozeleira eletrônica


g1

Publicada em: 16/06/2026 16:38:48 - Atualizado


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou para que a prisão do pai e do primo de Daniel Vorcaro sejam substituídas por outras medidas.

Para Henrique Vorcaro, pai de Daniel, Gilmar Mendes propôs a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar com as seguintes medidas cautelares:

  • uso de tornozeleira eletrônica;
  • saída de casa somente para atendimento médico com autorização;
  • proibição de manter contato com investigados e testemunhas;
  • proibição de se mudar sem prévia autorização judicial.

Gilmar votou para que Felipe Vorcaro, primo do banqueiro, tenha a prisão preventiva substituída por proibição de manter contato com os demais investigados e com testemunhas. Além disso, a proibição de mudar de residência e a obrigatoriedade de comparecimento periódico em juízo.

O ministro afirmou que pessoas envolvidas diretamente com a gestão do Banco Master chegaram a ser presas em novembro passado, mas depois foram soltas. Enquanto isso, segundo o magistrado, o pai de Daniel Vorcaro, que não participava diretamente das fraudes investigadas, está preso.

Para Gilmar, essa comparação levanta questionamentos sobre o motivo de Henrique Vorcaro estar preso. O ministro sugeriu que a prisão do pai pode ser uma forma de pressionar Daniel Vorcaro a fazer uma delação premiada.

"Tal situação parece destoar da lógica de isonomia e proporcionalidade, o que recomenda a substituição da prisão por medidas alternativas", disse Gilmar Mendes.

"Tem sido amplamente noticiada a possibilidade de acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro. Evidentemente, não cabe a esta Turma antecipar qualquer juízo acerca de tratativas [...]. A mera perspectiva de eventual acordo desse natureza serve para recordar: quanto maior a relevância atribuída ao depoimento do delator, mais rigoroso deve ser o controle judicial sobre a legalidade e voluntariedade do eventual acordo", ponderou Gilmar.

O ministro traçou um paralelo entre as investigações do Caso Master e as investigações da antiga Operação Lava Jato.

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) analisa as prisões do empresário Felipe Cançado Vorcaro e de Henrique Vorcaro, primo e pai do banqueiro Daniel Vorcaro.

O ministro Gilmar Mendes, do STF, devolveu para julgamento nesta terça-feira (16) os processos sobre as prisões.

A Segunda Turma do STF analisa se referenda ou não as decisões do ministro André Mendonça que determinaram as prisões.

Com o voto de Mendes, o placar está em dois votos a um pela manutenção das prisões. Anteriormente, Mendonça e Fux já haviam votado para manter as prisões.

Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal — Foto: Luiz Silveira/STF

Felipe foi preso em 7 de maio por decisão do Supremo no âmbito da "Operação Compliance Zero". Ele é apontado pela Polícia Federal como peça central do núcleo financeiro-operacional investigado.

Já Henrique Moura Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no mês passado suspeito de integrar o chamado “núcleo violento” do grupo e de atuar como operador financeiro.

Segundo os investigadores, o pai de Vorcaro seria responsável por demandar serviços e realizar pagamentos a estruturas conhecidas como “A Turma” e “Os Meninos”, usadas para intimidar pessoas, obter dados sigilosos e invadir sistemas.

De acordo com decisão judicial, Henrique também teria mantido repasses — em um caso citado, de cerca de R$ 400 mil — e acionado integrantes desses grupos para obter informações sobre investigações, mesmo após o avanço da operação.


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