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    porto velho, domingo 19 de julho de 2026

Moraes proíbe visita do presidente da Argentina a Bolsonaro e cria grave crise diplomática

Segundo o magistrado, as visitas a Jair Bolsonaro estão proibidas por 30 dias e o pedido do presidente argentino foi "prejudicado"


metropoles

Publicada em: 18/07/2026 10:16:41 - Atualizado


Brasília – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber a visita oficial do chefe do Executivo argentino, Javier Milei. O encontro estava planejado para ocorrer no próximo sábado (25/7), aproveitando a vinda do líder do país vizinho para a convenção nacional do Partido Liberal (PL).

A negativa de Moraes acontece na esteira de uma decisão proferida pelo magistrado, que endureceu drasticamente as regras da prisão domiciliar humanitária do ex-presidente. Atendendo a um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), o ministro suspendeu todas as visitas sociais a Bolsonaro por 30 dias e barrou encontros de caráter político-eleitoral até o fim das eleições de 2026.

O motivo do endurecimento das medidas

O estopim para a decisão judicial foi a acusação de descumprimento de medidas cautelares por parte de Bolsonaro. O STF apontou como irregular a divulgação de uma "carta aos brasileiros" lida e postada na internet pelo filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Pelas regras da cautelar, o ex-presidente está expressamente proibido de se manifestar em redes sociais, mesmo por intermédio de terceiros. Como punição complementar, Flávio também ficou impedido de visitar o pai por 90 dias.

Ao despachar sobre o pedido de audiência com a comitiva presidencial argentina — que contaria com a presença da secretária-geral Karina Milei e do chanceler Pablo Quirno —, Alexandre de Moraes declarou o requerimento "prejudicado":

"Salvo as visitas permanentes médicas, fisioterapêuticas e dos advogados, as demais visitas estão suspensas pelo prazo de 30 (trinta) dias", determinou o magistrado, alertando que novas infrações poderão levar o réu de volta ao regime fechado.

Descontentamento e repercussão nos bastidores

A decisão gerou forte reação no núcleo político de oposição e abriu espaço para novos atritos diplomáticos velados. Aliados de Bolsonaro classificaram a postura do ministro como "covarde" e um ato de "silenciamento político" em pleno período de articulação eleitoral.

A restrição imposta a um chefe de Estado estrangeiro impõe uma saia justa nas relações formais entre Brasília e Buenos Aires, sendo interpretada pela ala governista da Argentina como uma interferência drástica do Judiciário brasileiro sobre agendas diplomáticas e de cortesia internacional. Parlamentares alinhados à direita no Congresso já sugerem que o episódio deve aprofundar o distanciamento ideológico regional.


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