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    porto velho, terça-feira 28 de abril de 2026

"Indústria de Rondônia pode perder força com reforma tributária", diz Gilberto Baptista

Segundo ele, o estado vive um momento de crescimento acima da média nacional, mas pode enfrentar perdas significativas caso não haja compensações eficazes para...


Redação

Publicada em: 28/04/2026 16:01:28 - Atualizado

Foto: Rondonoticias

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta terça-feira (28/4) recebeu o Superintendente da FIERO, Gilberto Baptista, que fez um alerta direto sobre os impactos da reforma tributária na economia de Rondônia, especialmente no setor industrial. Segundo ele, o estado vive um momento de crescimento acima da média nacional, mas pode enfrentar perdas significativas caso não haja compensações eficazes para o fim dos incentivos fiscais.

Durante a entrevista, Baptista destacou que o avanço econômico de Rondônia nos últimos anos está diretamente ligado à integração entre indústria e agronegócio. Ele reforçou que esse modelo tem sustentado o desenvolvimento local e garantido competitividade no mercado externo. “Para o agro ser forte, precisa de uma indústria forte. É a indústria que traz inovação, tecnologia e garante produtividade no campo”, afirmou.

Foto: Rondonoticias

Os números apresentados mostram um cenário positivo. Apenas no último ano, o estado exportou mais de 3 bilhões de dólares, o equivalente a mais de 15 bilhões de reais injetados na economia. Já no primeiro trimestre deste ano, as exportações somaram cerca de 915 milhões de dólares, indicando uma possível superação dos resultados anteriores. “Os dados mostram claramente que estamos em crescimento. Não há como negar esse avanço”, ressaltou.

Apesar do cenário favorável, a principal preocupação gira em torno das mudanças previstas na reforma tributária, especialmente o fim dos incentivos fiscais a partir de 2032. De acordo com Baptista, esses benefícios foram fundamentais para atrair indústrias e fortalecer a economia regional. “A indústria de Rondônia foi construída com base nesses incentivos. Sem eles, a competitividade pode ser diretamente afetada”, explicou.

Ele também destacou a insegurança enfrentada por empresários diante do novo modelo tributário. Segundo o superintendente, investimentos industriais exigem planejamento de longo prazo, o que fica comprometido diante de incertezas. “Quem vai investir agora precisa saber como será o cenário daqui a cinco ou seis anos. Hoje, essa resposta ainda não existe”, pontuou.

Outro ponto abordado foi a mudança no sistema de arrecadação, que passará da origem para o destino, o que pode alterar a dinâmica econômica do estado. Baptista alertou que, embora a proposta traga simplificação, ainda há dúvidas sobre os efeitos reais na prática. “A ideia era simplificar, mas o impacto precisa ser entendido. A preocupação é como isso vai refletir no custo e na competitividade das empresas”, disse.

O superintendente também chamou atenção para o risco de quebra na cadeia produtiva caso setores deixem de ser competitivos. Ele explicou que a indústria rondoniense funciona de forma integrada, e qualquer fragilidade pode comprometer todo o sistema. “Se um elo enfraquece, toda a cadeia sente. Esse é o risco que estamos avaliando”, afirmou.

Ao final, Baptista reforçou que a FIERO acompanha de perto todas as mudanças e mantém vigilância constante sobre as decisões relacionadas à reforma. “Estamos atentos 24 horas. Cada decisão pode impactar diretamente o futuro da indústria e da economia de Rondônia”, concluiu.

ASSISTA A ENTREVISTA COMPLETA AQUI:


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