Fundado em 11/10/2001
porto velho, terça-feira 16 de junho de 2026

PORTO VELHO - RO - A corrida pelo Palácio Rio Madeira ainda nem entrou oficialmente no período eleitoral, mas já avança em outra frente: a dos tribunais. Cresce o número de representações, denúncias e ações protocoladas por assessorias jurídicas ligadas aos pré-candidatos ao Governo de Rondônia, transformando a pré-campanha de 2026 em um ambiente cada vez mais judicializado.
Desde abril, por exemplo, a equipe jurídica do pré-candidato Marcos Rogério (PL) tem recorrido com frequência à Justiça Eleitoral para questionar atos de adversários, alegando supostos casos de propaganda eleitoral antecipada e pedidos explícitos ou implícitos de votos. A maior parte dessas investidas, entretanto, não prosperou nas cortes eleitorais.
O fenômeno revela uma mudança de estratégia nas disputas políticas. Se antes o embate ocorria principalmente nos palanques, nas entrevistas e nas redes sociais, agora também se desenvolve nos gabinetes de advogados e nos corredores da Justiça Eleitoral.
Nos bastidores da política, a movimentação desperta comentários inevitáveis. Bancas especializadas em Direito Eleitoral costumam ser contratadas por valores elevados durante os períodos pré-eleitorais. Em muitos casos, os contratos envolvem cifras expressivas e equipes altamente qualificadas, que passam a monitorar discursos, eventos, publicações e manifestações dos adversários.
Nesse contexto, não faltam observadores que enxergam nas sucessivas representações uma tentativa de demonstrar atuação permanente e justificar os investimentos feitos pelos pré-candidatos em suas estruturas jurídicas. Afinal, quando a campanha ainda não começou oficialmente, mas os processos já se acumulam, surge a impressão de que a disputa eleitoral está sendo travada tanto nas urnas futuras quanto nos autos dos processos.
O resultado é um ambiente político mais tenso, onde cada discurso, fotografia, vídeo ou participação em evento público pode se transformar em objeto de questionamento judicial. A tendência é que a judicialização aumente à medida que a eleição se aproxima, elevando o protagonismo dos advogados na disputa pelo comando de Rondônia, muito mais que os próprios candidatos.