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porto velho, quarta-feira 15 de julho de 2026

O tempo dos experimentos acabou
Jair Montes
As eleições deste ano terão um peso singular para Rondônia. Pela primeira vez em muitos anos, os eleitores escolherão dois senadores em uma única disputa. Não é uma decisão qualquer. Trata-se de definir quem representará o Estado em Brasília pelos próximos oito anos, período suficiente para transformar uma realidade ou aprofundar o atraso.
A impressão que fica é que o eleitor rondoniense amadureceu. Depois de sucessivas decepções, cresce a percepção de que discursos inflamados, promessas milagrosas e marketing eleitoral já não bastam. O que se espera agora é algo muito mais simples e, ao mesmo tempo, muito mais difícil: capacidade de entrega.
Infelizmente, nossa bancada federal, salvo raríssimas exceções, não correspondeu às expectativas da população. Rondônia continua convivendo com uma energia elétrica entre as mais caras do país, uma saúde pública que ainda agoniza e uma segurança que insiste em deixar o cidadão refém da criminalidade, sem contar com pagamento de um pedágio criminoso que atenta contra os usuários da BR-364 e praticamente sem solução. Enquanto isso, muitos dos que foram eleitos parecem viver em uma realidade paralela, distante dos problemas enfrentados diariamente por quem paga impostos e levanta cedo para ganhar o pão.
O eleitor está cansado de sustentar uma máquina pública pesada e receber tão pouco em troca. Está cansado de promessas recicladas a cada eleição. Está cansado de políticos que aparecem apenas no período eleitoral para distribuir sorrisos, apertos de mão e discursos cuidadosamente ensaiados.
Nesta eleição, o que deverá pesar não será apenas a popularidade, o sobrenome conhecido ou a força das redes sociais. O verdadeiro diferencial será o legado. O que cada candidato efetivamente fez por Rondônia? Que obras ajudou a viabilizar? Que recursos trouxe? Que causas defendeu? Que projetos aprovou. Que resultados concretos entregou?
O tempo dos experimentos passou. Rondônia já não pode se dar ao luxo de eleger representantes apenas pela fama, pela tradição familiar ou pela habilidade de construir uma imagem. O Senado exige preparo, articulação, conhecimento e compromisso permanente com os interesses do Estado.
Se o eleitor errar novamente, não haverá como corrigir a escolha por quase uma década. O mandato de senador dura oito anos. É tempo suficiente para impulsionar o desenvolvimento de Rondônia ou assistir, confortavelmente de Brasília, às oportunidades escaparem mais uma vez.
Por isso, deixo uma reflexão, sem a pretensão de oferecer respostas prontas:
Qual foi, até aqui, a principal contribuição do senador Jaime Bagattoli para Rondônia durante o exercício de seu mandato?
Toda democracia se fortalece quando o eleitor faz perguntas antes de depositar o voto na urna. Afinal, mais importante do que acreditar em promessas é exigir resultados.
Que Deus ilumine o povo de Rondônia para que escolha seus representantes com consciência, responsabilidade e compromisso com o futuro do Estado.
Pense nisso!
O autor foi vereador e ex-deputado estadual.