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    porto velho, segunda-feira 6 de julho de 2026

Enquanto empresários escalarem a seleção, Brasil nunca mais ganhará uma copa do mundo

A Seleção Brasileira precisa voltar a representar o mérito esportivo acima de qualquer interesse econômico.


Redação

Publicada em: 06/07/2026 09:36:31 - Atualizado


Durante décadas, a Seleção Brasileira foi símbolo de meritocracia esportiva. Vestir a camisa amarela era o sonho de qualquer jogador e a convocação representava o reconhecimento pelo desempenho dentro de campo. Hoje, porém, muitos torcedores têm a sensação de que esse princípio foi sendo substituído por interesses que vão além do futebol.

A crescente influência do mercado sobre o esporte alimenta a percepção de que jogadores são tratados como ativos financeiros. Convocações frequentes de atletas pouco conhecidos pelo grande público, enquanto outros vivem melhor fase e ficam de fora, levantam questionamentos que dificilmente recebem respostas convincentes.

O futebol moderno movimenta bilhões de reais em direitos de transmissão, patrocínios e negociações internacionais. Uma convocação para a Seleção Brasileira pode multiplicar o valor de mercado de um atleta, facilitar transferências para grandes clubes e gerar lucros expressivos para diversas partes envolvidas. Essa realidade faz com que parte da torcida passe a enxergar as listas de convocados com desconfiança.

Quando o torcedor deixa de acreditar que os melhores estão em campo, a conexão entre a Seleção e seu maior patrimônio — o povo brasileiro — começa a se enfraquecer.

O Brasil não deixa de conquistar uma Copa do Mundo por um único motivo. Planejamento, renovação, trabalho técnico, formação de atletas e desempenho em campo são fatores decisivos. Mas também é verdade que a transparência precisa ser prioridade. Quanto menos espaço houver para dúvidas sobre critérios de convocação, maior será a confiança da torcida.

A Seleção Brasileira precisa voltar a representar o mérito esportivo acima de qualquer interesse econômico. O jogador convocado deve ser aquele que melhor desempenha sua função, independentemente do empresário que o representa, do clube em que atua ou do potencial financeiro de uma futura negociação. Só assim será possível reconstruir a identificação do torcedor com a camisa mais vitoriosa da história das Copas do Mundo.


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