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    porto velho, sábado 30 de agosto de 2025

Crônica de Fim de Semana - A Nação no liminar do abismo quando Setembro chegar

Que a mão divina, enfim, intervenha e devolva a paz de outrora...


Redação

Publicada em: 30/08/2025 10:08:14 - Atualizado

                                     CRÔNICA DE FIM DE SEMANA

                A NAÇÃO NO LIMIAR DO ABISMO, QUANDO SETEMBRO CHEGAR

                                                  Arimar Souza de Sá


O Brasil é um país privilegiado. Terras abundantes, mar, rios piscosos, montanhas imponentes, paisagens deslumbrantes, clima generoso, sem terremotos ou vulcões. De longe, é uma nação abençoada por Deus. De perto, porém, parece que o Criador tirou férias, e os dias atuais se arrastam sob nuvens pesadas.

A dor, velha companheira da humanidade, reparte-se agora entre todos como pão amargo que ninguém deseja. Nessa neblina espessa, o país cambaleia feito bêbado em calçada esburacada — sem norte, sem destino, sem honra. É a sensação de estarmos à deriva, num barco colossal prestes a rodopiar no mar revolto, sem bússola e à mercê das ondas da própria desgraça.

A pergunta é inevitável: quem terá fibra para colocar o país no prumo?

Mesmo consumada a prisão domiciliar do “capitão”, a pacificação não veio — pelo contrário, a polarização cresceu. Metade da nação aplaude como quem assiste com normalidade ao sacrifício de um ser humano em praça pública; a outra metade urra como fera enjaulada, convencida de viver uma injustiça sem precedentes.

Como se a crise interna não bastasse, Lula resolveu vestir a fantasia de gladiador global. Em vez de construir pontes, preferiu provocar Donald Trump com declarações inflamadas — como se fosse prudente cutucar um leão no zoológico da geopolítica. O resultado foi previsível: mais desconfiança, mais tensão e o Brasil no epicentro de um embate internacional para o qual não tem fôlego, nem bala na agulha. Enquanto isso, cá dentro, o povo paga a conta, como quem engole fel.

E que conta! O tarifaço, vendido como “justiça fiscal”, cai como guilhotina sobre o pescoço do trabalhador e do exportador que ainda insiste em produzir. Energia, combustível, alimentos: tudo dispara como foguete, enquanto o salário mingua como vela ao sabor de vento forte.

Enquanto o caldeirão ferve, a fanfarra do gasto público segue desafinada. Estatais que já sustentaram a economia são hoje carcaças enferrujadas. Petrobras, Correios e outras empresas públicas sangram por má gestão e aparelhamento. A conta escorre direto para o bolso do contribuinte, que assiste à falência da pátria, enquanto aposentados agonizam e os cofres públicos explodem como rojões em festa paga com suor e miséria.

Nunca fomos tão miseráveis de ética nem tão pobres de esperança. A guerra sem trégua entre lulistas e bolsonaristas — dois exércitos que se alimentam do próprio ódio — substituiu o diálogo pela retaliação. O Brasil virou arena romana: de um lado, gladiadores exibem músculos; do outro, a plateia clama por sangue. Nesse espetáculo macabro, a moderação foi devorada pelos leões da polarização.

O desespero é tanto que deputados e senadores, em ato inédito, invadiram as mesas diretoras do Congresso. Como náufragos, subiram no mastro do navio prestes a afundar, não para salvá-lo, mas para anunciar que o prático é um covarde e que o barco afundará com todos a bordo. Justo em setembro, mês que outrora carregava a esperança nas canções de Beto Guedes.

A corrupção, antes escandalosa e punida, hoje é rotina — e, pasmem, justificada. Um deputado da 'rachadinha' confessou o descalabro, mas foi salvo pelos colegas e seguiu no cargo.

Símbolos nacionais apodrecem diante da podridão cotidiana. A bandeira brasileira já foi até queimada em praça pública sob aplausos, e o hino nacional, deformado por idiotas. Crimes se acumulam, quadrilhas prosperam e ladrões do erário, mesmo condenados, continuam de “flosor”. Parece que esta terra foi tomada por alienígenas que sugam o último sopro de decência.

Líderes que no passado ergueram bandeiras contra injustiças hoje se calam. Vandré, Chico, Caetano, Gil — vozes que incendiaram a esperança — recolheram-se à conveniência. Amparados por benesses da Lei Rouanet, preferem o conforto ao combate. No palco vazio da resistência, restam apenas cortinas fechadas e o eco distante de canções que não voltarão nem com reza braba. Para completar, escândalos e promessas não cumpridas formam um entulho moral que sufoca até quem ainda guardava um tiquinho de esperança.

E a pergunta insiste: para onde vamos? O paciente Brasil ainda tem cura? Quem segura o leme desse barco com rombo no casco?

No silêncio das respostas, ouvem-se apenas os latidos histéricos dos cães da política — ora ladrando, ora uivando — com malas e cuecas abarrotadas de dinheiro. A ausência de líderes capazes de recolocar o país nos trilhos apodrece a esperança do seu Pedro do seu ‘Manel’ e de Dona Maria, e nos empurra para o abismo de uma guerra civil, gestada no ódio. Cruz credo!

Que a mão divina, enfim, intervenha e devolva a paz de outrora. Caso contrário, o amanhã pode se revelar ainda mais sombrio, enquanto, nas periferias, o povo escolhe qual música tocar na radiola de pilha para abafar o odor da morte que se insinua quando setembro chegar.

Deus nos salve, AMÉM!


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