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    porto velho, domingo 23 de junho de 2024

Doenças infecciosas podem virar epidemias devido a enchentes no Rio Grande do Sul

As inundações que ocorreram por todo o Rio Grande do Sul podem provocar um aumento nos casos de doenças infeciosas


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Publicada em: 16/05/2024 16:38:51 - Atualizado

Nesta quinta-feira (16), chegou a 151 o número de vítimas dos temporais e enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul entre o fim de abril e a primeira quinzena de maio, além de 104 pessoas desaparecidas. Ao todo, são 615,3 mil pessoas fora de casa. Deste total, 538,1 mil estão desalojados (em casas de amigos ou parentes) e 79,4 mil foram acolhidos em abrigos. O número é superior à população de oito capitais no Brasil.

O governo estima que a população afetada pelo evento climático seja de 2,2 milhões de gaúchos. Dos 497 municípios do estado, 458 registraram transtornos. O que preocupa as autoridades de saúde locais é o futuro. As inundações que ocorreram por todo o estado podem provocar um aumento nos casos de doenças como leptospirose, tétano, hepatite A e outras enfermidades gastrointestinais.

A combinação de águas contaminadas, a aglomeração de pessoas em abrigos temporários da Defesa Civil e a interrupção dos serviços de saúde podem propiciar a propagação dessas doenças. Ademais, o estado já sofre com uma superlotação nos hospitais das cidades e uma carência de profissionais de saúde.

  • Leptospirose


A leptospirose, causada pela bactéria leptospira presente na urina de roedores, é uma doença infecciosa geralmente contraída pelo contato com água ou solo contaminados. A transmissão ocorre quando a bactéria penetra no corpo através de lesões na pele, submersão prolongada em água contaminada ou ingestão de água poluída. O contato com lama também pode transmiti-la, exigindo o uso de botas e luvas durante a limpeza das residências e a precaução para manter mãos e pés secos.

  • Hepatite A


Outra doença que pode surgir é a hepatite A, transmitida principalmente por alimentos contaminados. Recomenda-se evitar o consumo de alimentos que entraram em contato com a água das inundações, incluindo alimentos embalados, enlatados, frutas, legumes e verduras.

Portanto, é crucial que as pessoas feridas durante as inundações recebam cuidados médicos imediatos para limpar e tratar suas feridas adequadamente. Além disso, as autoridades de saúde pública devem garantir a disponibilidade e administração de vacinas contra o tétano em áreas propensas a inundações, a fim de prevenir surtos da doença.

  • Tétano


Durante as inundações, ferimentos na pele, como cortes ou arranhões, podem facilitar a entrada da bactéria do tétano, Clostridium tetani. Esta bactéria pode ser encontrada em diversos objetos e no solo contaminado, especialmente em áreas com fezes de animais. A contaminação do solo pode desencadear a multiplicação da bactéria em feridas abertas, resultando em espasmos musculares graves e, em casos extremos, fatais. A vacinação contra o tétano é essencial, porém, durante inundações, onde os serviços médicos podem ser limitados, o risco de contrair a doença aumenta.

Diarreia e outras doenças gastrointestinais


A contaminação da água potável e dos alimentos pode levar a surtos de doenças gastrointestinais, como gastroenterite viral, bacteriana ou parasitária. Isso é especialmente preocupante em abrigos superlotados, onde as condições de higiene podem ser precárias. Além disso, as inundações podem causar lesões físicas, traumas psicológicos e problemas de saúde mental devido ao estresse e à perda de propriedades.



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