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porto velho, quinta-feira 12 de março de 2026

PORTO VELHO (RO) - Apresentado pelo advogado e jornalista Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta quarta-feira (19) recebeu o diretor de finanças do Sindicato dos Urbanitários de Rondônia (SINDUR), Roberto Leite, que falou sobre as ações da entidade que representa milhares de trabalhadores rondonienses.
Ao comentar sobre o saneamento básico no estado, Roberto Leite classificou o tema como complexo e afirmou que nem mesmo as empresas privadas que atuam no interior vêm oferecendo um serviço que atenda às legislações vigentes.
“O saneamento em Rondônia é bastante complexo, porque depende de uma discussão mais apropriada por parte dos representantes públicos. Tanto o setor privado quanto o público não correspondem às devidas expectativas. A CAERD, por ser do Governo do Estado, passa por questões ainda mais complicadas e vem resistindo ao longo dos anos”, afirmou Roberto Leite.
Segundo ele, a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (CAERD) é vítima de anos de gestões contraditórias, que acabaram comprometendo o funcionamento da empresa.
“É uma empresa que enfrenta muitas dificuldades e que, ao longo dos anos, foi levada à insolvência. As práticas de gestão acabaram prejudicando a CAERD. De 400 servidores, quase 100 são cargos de assessoramento superior, além de contratações temporárias e emergenciais de nível superior — pessoas que ganham muito bem, mas pouco entendem de saneamento”, disse o diretor.
Ele também destacou que a criação de cargos com altos salários acabou gerando distorções internas.
“Em decorrência disso, a empresa tem criado muitos problemas. Por exemplo, essas contratações transformaram a CAERD em uma ‘Torre de Babel’. Há excesso de gastos com diárias e, na hora de recompor as perdas salariais dos trabalhadores, surgem dificuldades”, criticou Roberto Leite.
O sindicalista também contestou a pressão de alguns gestores pela privatização do sistema de água e esgoto do estado.
“Com o advento do marco regulatório do saneamento, em 2020, é privatizar ou privatizar. Mas o sindicato é contra isso, porque, na maioria dos casos, quem paga a conta é o cidadão e os servidores, que acabam demitidos ou com salários reduzidos. Um exemplo é o que aconteceu com a Energisa”, comentou.
Por fim, Roberto Leite falou sobre o escândalo envolvendo a fila supostamente furada no pagamento de precatórios por parte da CAERD, situação que levou à abertura de um Inquérito Civil pelo Ministério Público.
“Existem precatórios no TJ e no TRT. O Ministério Público está correto em apurar, porque precatórios milionários são pagos extrajudicialmente, enquanto trabalhadores ficam presos na fila cronológica. Muitos desses trabalhadores têm problemas graves de saúde e não recebem seus precatórios — e a CAERD aparece um acordo milionário como esse”, finalizou.
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