• Fundado em 11/10/2001

    porto velho, terça-feira 10 de março de 2026

Delegados disputam espaço no Podemos, mas Léo Moraes ignora a crise e governa a cidade

A movimentação expôs um clima de rivalidade antecipada dentro da legenda...


Redação

Publicada em: 10/03/2026 09:14:38 - Atualizado

PORTO VELHO - RO - Nos bastidores da política rondoniense, a disputa interna no Podemos começa a ganhar contornos cada vez mais tensos. No centro do embate estão dois delegados que decidiram mirar o mesmo objetivo: a pré-candidatura ao governo de Rondônia. De um lado, o prefeito de Vilhena, delegado Flori; do outro, o delegado Camargo, que se prepara para deixar o Republicanos e buscar abrigo no partido.

A movimentação expôs um clima de rivalidade antecipada dentro da legenda. Flori, que tenta projetar sua imagem estadual tendo a saúde como principal bandeira administrativa, não esconde o incômodo com a possibilidade de dividir espaço com o colega delegado. O detalhe é que, em Vilhena, a área da saúde funciona sob forte modelo de terceirização, o que leva críticos a questionarem o discurso de que o setor seria uma vitrine exclusiva de sua gestão.

A eventual chegada de Camargo ao Podemos acabou acendendo o pavio da disputa antes mesmo de qualquer decisão partidária. Nos bastidores, a reação do prefeito de Vilhena é vista por analistas como precipitada. Isso porque a escolha do nome que representará o partido na corrida ao Palácio Rio Madeira ainda está longe de ocorrer e dependerá de consulta interna, com a palavra final nas mãos do principal líder da sigla em Rondônia: o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes.

Conhecido por sua leitura pragmática do tabuleiro eleitoral e por acompanhar pesquisas com atenção cirúrgica, Léo tende a escolher, no momento adequado, aquele que demonstrar maior viabilidade nas urnas. Em política, essa lógica é quase uma regra: não prevalece a ansiedade dos aspirantes, mas o cálculo de quem tem mais chances de vitória.

Enquanto Flori e Camargo se engalfinham nos bastidores para ocupar espaço dentro do Podemos, Léo Moraes segue em outra frequência. Distante da disputa e sem dar maiores atenções à crise entre os dois delegados, o prefeito prefere concentrar energia na administração da capital, tocando a rotina da cidade e evitando transformar o partido em palco de conflitos prematuros.

Nesse cenário, a pressa do prefeito de Vilhena em cogitar abandonar a legenda acaba revelando um traço que parte do eleitorado talvez ainda não tivesse percebido. No primeiro sinal de tensão interna, já se fala em deixar o barco. E a política costuma ser pouco generosa com líderes que aparentam vacilar antes mesmo de a corrida começar.

A possível migração de Flori para o União Brasil, ventilada a partir de convite do deputado Maurício Carvalho, pode até ser apresentada como uma estratégia. Mas também pode se revelar um movimento precipitado. Em um ambiente político cada vez mais competitivo em Rondônia, erros de cálculo raramente passam sem custo — sobretudo quando o futuro parecia, até pouco tempo, caminhar em terreno promissor.


Fale conosco