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    quarta-feira 16 de junho de 2021

Bolsonaro anuncia parecer para desobrigar máscara em vacinados

Presidente afirmou que medida também possibilitará não uso da proteção aos recuperados, o que contraria protocolos médicos


R7

Publicada em: 10/06/2021 18:10:54 - Atualizado


BRASIL -  O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou nesta quinta-feira (10), durante evento com o Ministério do Turismo, que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, vai emitir parecer para desobrigar o uso de máscara por aqueles que foram vacinados ou já contaminados pela covid-19. A medida contraria protocolos médicos, que recomendam a proteção contra o risco de reinfecção e escape das vacinas que estes grupos ainda correm.

A fala veio depois do presidente lembrar de matérias jornalísticas que apontam de forma recorrente quando ele não usa máscara em visitas a municípios brasileiros. "Ele [Queiroga] vai ultimar parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que estejam vacinados ou que já foram contaminados para tirar essa (...) esse símbolo, que obviamente tem a sua utilidade para quem está infectado", disse.

"Se bem que pra nós, o nosso protocolo, para quem está infectado, esse sim ele fica em casa, não aquele 'fica em casa todo mundo'. A quarentena é pra quem está infectado, não é para todo mundo porque isso destrói empregos. Mata de outra forma o cidadão", completou.

A recomendação de especialistas, porém, é de manter o uso da máscara tanto para os já recuperados da covid como para aqueles que foram totalmente imunizados com as vacinas. Entre os motivos, está o fato de que variantes do novo coronavírus têm maior potencial de escapar de anticorpos naturais ou produzidos em resposta a vacinas.

Além disso, nenhuma vacina tem 100% de eficácia contra a covid, o que possibilita que até os imunizados adoeçam e transmitam a doença a familiares e amigos.

O R7 entrou em contato com o Ministério da Saúde para obter mais detalhes do parecer, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

Relatório do TCU

O presidente também anunciou que falará na sua live semanal, às 19h desta quinta, sobre "o que aconteceu" no episódio em que divulgou relatório preliminar do TCU (Tribunal de Contas da União), colocado por um auditor de forma indevida e depois desmentido pelo tribunal.

Ele parabenizou o TCU, mas insistiu na tese de supernotificação de mortes por covid-19 voltando a citar a lei que possibilitaria a governadores aumentarem os dados para receberem mais recursos do Ministério da Saúde. Bolsonaro até aumentou sua projeção, afirmando que até 60% das mortes contabilizadas não teriam sido causadas pela covid-19.

"É só compararmos a tabela de óbitos pelo site da transparência de 2015 para cá. Todo ano cresce. E se não tivéssemos a pandemia no passado, tirando os quase 200 mil mortos, o crescimento seria negativo, um decréscimo. Mais indício do que isso? Impossível", afirmou.

    Em seguida, Bolsonaro voltou a criticar medidas de isolamento social e defendeu suas ações no combate à pandemia. "Não errei uma sequer, e não foi da minha cabeça, foi conversando com pessoas. Como um anônimo entre nós por muito tempo: o Arthur Weintraub", completou, relembrando de viagem ao Japao com o Secretário de Segurança Multidimensional e ex-assessor da presidência.

    Weintraub foi convocado pela CPI da Covid como um dos integrantes do suposto "gabinete paralelo", apontado por senadores oposicionistas e independentes como o grupo responsável por tirar a autonomia de ministros da Saúde no combate à covid-19 ao defender o tratamento precoce contra a doença e a tese de imunidade de rebanho.

    Bolsonaro se defendeu de vídeos recuperados na internet que mostraram indícios da atuação deste gabinete em uma reunião dele com médicos defendendo o tratamento precoce e questionando a eficácia de vacinas na fase 3 de testes.

    "Fizemos com o Médicos pela Vida uma live e vários deles falaram o que acontecia, qual é a sua ideia, no ano passado. São heróis! Pessoas que estavam buscando salvar vidas e não se acomodando debaixo da cama em casa, como muitas autoridades fizeram pelo Brasil. E isso para a CPI agora é gabinete paralelo", justificou Bolsonaro.


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