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porto velho, sábado 1 de agosto de 2026

PORTO VELHO (RO) – A renúncia do senador Confúcio Moura à disputa pela reeleição abriu um vazio político no MDB de Rondônia, mas também recolocou sobre a mesa um nome que jamais deixou de ser associado à inteligência, à experiência e à capacidade de formulação política: o do ex-senador e ex-ministro Amir Lando.
Preterido meses atrás por Confúcio Moura, que trabalhou para impedir sua candidatura ao Senado dentro da própria legenda, Amir assiste agora ao cenário se inverter. O partido que o relegou ao segundo plano volta a precisar justamente do homem que dispensou. A política, como poucas atividades humanas, tem o hábito de cobrar coerência e devolver aos protagonistas o peso de suas escolhas.
Hoje, poucos nomes reúnem tantas credenciais quanto Amir Lando. Jurista respeitado, intelectual reconhecido nacionalmente, ex-ministro da Previdência Social, ex-senador da República e um dos pioneiros da representação política de Rondônia em Brasília, Amir construiu uma trajetória baseada na capacidade de formular políticas públicas, dialogar com diferentes correntes e defender os interesses do estado em alto nível.
Sem uma candidatura majoritária competitiva e com uma nominata ainda distante do ideal, o MDB enfrenta o risco de disputar as eleições como mero figurante. É justamente nesse momento que Amir passa a representar muito mais do que um candidato. Ele pode se transformar na âncora capaz de devolver protagonismo à legenda.
Os caminhos são evidentes. Se a direção nacional entender que a prioridade é fortalecer a disputa ao Senado, Amir reúne densidade política e reconhecimento suficientes para assumir essa missão. Se a estratégia apontar para o Governo de Rondônia, seu currículo também o credencia para liderar um projeto de reconstrução partidária. Em qualquer cenário, seu nome oferece algo raro na política contemporânea: autoridade construída ao longo de décadas de vida pública sem ter sujado as mãos.
Mais do que disputar um cargo, Amir poderia assumir o comando político do MDB em Rondônia. A legenda ainda dispõe de tempo para reorganizar sua nominata proporcional, atrair lideranças regionais, recompor alianças e apresentar ao eleitor um projeto consistente. Isso exige liderança, capacidade de articulação e credibilidade — atributos que poucos quadros do partido possuem com a mesma intensidade.
A saída de Confúcio Moura encerra um ciclo marcado por conflitos internos, isolamento político e sucessivas divisões. O episódio que culminou no enfraquecimento da candidatura de Amir ao Senado tornou-se um dos símbolos desse período. Agora, o MDB tem diante de si a oportunidade de corrigir a própria rota.
Nenhum partido sobrevive apenas de estruturas burocráticas ou de símbolos históricos. Sobrevive quando consegue oferecer esperança aos seus filiados e competitividade aos seus candidatos. Nesse aspecto, Amir Lando surge como o único nome capaz de reorganizar a legenda em tempo hábil e devolver ao MDB uma posição de destaque no debate eleitoral.
Se aceitar essa missão, Amir não herdará apenas uma candidatura. Herdará o desafio de reconstruir um partido que perdeu o rumo. E, paradoxalmente, poderá transformar a rejeição que sofreu dentro da própria legenda no ponto de partida para a maior reviravolta política do MDB rondoniense nesta eleição.