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    porto velho, domingo 30 de novembro de 2025

Tetra no peito, brasileirão à vista - Vamos 'flamengar' - por Arimar Souza de Sá

E, quando a bola rolar, que cada flamenguista sinta o mesmo arrepio secular que anuncia as grandes conquistas...


Redação

Publicada em: 30/11/2025 14:01:02 - Atualizado

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CRÔNICA DE FIM DE SEMANA

TETRA NO PEITO, BRASILEIRÃO À VISTA: VAMOS ‘FLAMENGAR’!

Arimar Souza de Sá

Há paixões que não se explicam — se vivem. O Flamengo é dessas paixões que entram na corrente sanguínea, inflamam o peito e transformam até a mais amarga dor em carnaval.

Quem me acompanha sabe: minha alma é rubro-negra desde menino, e minhas crônicas — desde a década de 80, quando comecei a escrever — volta e meia acabam sangrando esse vermelho sagrado.

Ontem, enquanto o mundo insistia em suas dores, abri uma gelada, lavei o peritônio e convoquei minha família para o ritual. E eles vieram, como bons devotos, sentando ao redor da televisão como quem se reúne em torno de uma fogueira de São João. E ali, no silêncio tenso que precede os milagres, explodiu a cabeçada de Danilo — era o Mengão iniciando mais uma conquista das Américas. Flamengo 1 x 0 Palmeiras, em Lima. Uma testada certeira, um grito preso na garganta, uma explosão cósmica. Ao apito final, o brado aliviado: somos tetra das Américas.

Fora os despeitados, o Brasil inteiro, cansado de tropeços, encontrou nesse gol uma fresta de sol. Foi o grito do brasileiro — e do flamenguista, que é quase uma categoria espiritual à parte — apertado pelas mazelas do cotidiano, mas que nunca perde o fôlego para berrar “Mengoooo!” enquanto o coração dispara como tambor de escola de samba.

E, veja bem, a festa não termina em Lima — nem nos festejos que incendiaram as ruas do país.
Na quarta-feira, 03, o Mengão encara o Ceará — e pode antecipar mais um capítulo dessa epopeia: o título de campeão brasileiro. Se isso não é motivo para ‘flamengar’ desbragadamente até a alma brilhar, eu sinceramente não sei o que seria!

Por isso digo, com irreverência e poesia: vamos ‘flamengar’! Vamos erguer esse nosso brinquedo de estimação aos píncaros da glória eterna, como cometa que rasga o céu e deixa um rastro vermelho e preto por onde passa. Não podemos esquecer nossos ídolos — os de chuteira e os que já se aposentaram para brilhar na constelação rubro-negra — que ainda iluminam o caminho do que o Brasil tem de mais belo: o futebol arte celebrado por milhões de apaixonados.

Aos despeitados, deixo meu abraço solidário e um convite sutil: sofram menos, venham ser felizes conosco. Aqui pra nós: não deve ser fácil acordar neste domingo, 30/11, num mundo pintado de vermelho e preto e não poder vestir essas cores só por pirraça — por insistir em torcer para um time que não performa como o Mengão.

Deve ser tão chato quanto assistir ao carnaval pela janela ou comer feijoada sem torresmo. Mas o destino é assim: distribui alegrias desiguais — e, para os secadores, infelizmente, só sobra dor de cabeça e frustração. Já nós, flamenguistas roxos, recebemos fartura. Aqui, nas Américas, onde o Flamengo pisa, brota título. Somos um continente dentro de um clube, uma constelação dentro de um estádio, uma oração que termina sempre no mesmo refrão: “Mengoooo! Mengoooo! Mengooou! Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!”

Então, ‘flamenguemos’! Lavemos o peritônio, enchamos o pote — com moderação ou sem nenhuma, porque o coração flamenguista já nasceu destemido e vencedor. Celebremos a fé nos nossos onze apóstolos, que correram, suaram, sofreram e venceram. Dá-lhe, dá-lhe flamengooou, pra cima deles, flamengoou!

Que venham mais gols, mais taças, mais noites de quarta ou tardes de domingo com vitórias retumbantes, para lavar a alma e estender a felicidade no varal do peito rubro-negro. E que quarta-feira, 03/12, não seja apenas mais um jogo — que venha o Ceará e seja o reencontro do Flamengo com o seu próprio destino: vencer.

E, quando a bola rolar, que cada flamenguista sinta o mesmo arrepio secular que anuncia as grandes conquistas. 

Porque nós, rubro-negros, não torcemos: profetizamos.
Não assistimos: participamos.
Não esperamos milagres: provocamos milagres.

E quando o apito final soar, que o Brasil inteiro — flamenguista ou não — se lembre de uma verdade tão antiga quanto o próprio futebol:

Onde o Flamengo pisa, a história se curva.
Onde o Flamengo joga, a vitória tem endereço.

Frustração como castigo aos secadores! 

AMÉM!

Mengoooo! Mengoooo! Mengoooo!


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